Herbário Barbosa Rodrigues – HBR
Com mais de 81 anos de história, o Herbário Barbosa Rodrigues (HBR) é reconhecido internacionalmente por sua relevante contribuição ao conhecimento da flora brasileira. Sua coleção reúne aproximadamente 70 mil espécimes de plantas, algas e fungos herborizados, em sua maioria coletados em território catarinense. Trata-se de um acervo de valor inestimável para os estudos botânicos, composto por mais de 600 espécimes-tipo, fundamentais para a classificação e descrição de espécies.
Além de sua importância científica, o HBR preserva amostras provenientes de locais que já não existem mais, impactados pelo avanço do desmatamento decorrente da expansão agrícola e das ações de combate à malária endêmica promovidas pelo governo entre as décadas de 1940 e 1960. Assim, seu acervo se consolida como um dos únicos registros da vegetação original de diversas regiões do estado.
A trajetória do HBR tem início em 1942, com o padre Raulino Reitz, nascido em 19 de setembro de 1919, que fundou o herbário a partir de uma modesta coleção de plantas medicinais. Movido por sua paixão pela botânica, Reitz se especializou nos Estados Unidos em 1955, realizou centenas de expedições e percorreu cerca de um milhão de quilômetros em busca de espécies vegetais. Fundador do órgão ambiental de Santa Catarina, foi responsável pela criação de importantes áreas protegidas e pela descrição de dezenas de espécies, especialmente bromélias – seu principal objeto de estudo. Em 1990, foi homenageado no México com o prestigiado Prêmio Global 500. Pouco tempo depois, durante uma cerimônia em sua homenagem no Brasil, sofreu um mal súbito e faleceu.
Parceiro inseparável de Reitz, o botânico Roberto Miguel Klein (1923–1992), natural de Montenegro (RS), iniciou sua trajetória na área em 1949, integrando a equipe de combate à malária endêmica ao lado de Reitz. Em 1953, assumiu a curadoria do herbário, função que desempenhou até seu falecimento. Doutor em Botânica pela USP, Klein contribuiu significativamente para o conhecimento da flora catarinense, com destaque para suas pesquisas sobre árvores nativas, classificação botânica, ecologia e usos potenciais.
#ParaTodosVerem: Imagem mostra uma parede com o logotipo do Herbário, fotos de dois homens e uma estante repleta de itens abaixo.Em 1971, Zilda Helena Deschamps Bernardes passou a integrar a equipe do HBR a convite de Reitz, que se transferia ao Rio de Janeiro para assumir a presidência do Jardim Botânico. Formada no curso Normal pelo Colégio São José (Itajaí), Zilda atuava como secretária administrativa, função que acumulava com seu compromisso institucional com o HBR. Após o falecimento de Reitz e Klein, ela e seu esposo, Jurandir, assumiram o cuidado do herbário, zelando por ele com dedicação por quase cinco décadas.
Em 2022, após longas tratativas, a Universidade do Vale do Itajaí (Univali) assumiu oficialmente a tutela do Herbário Barbosa Rodrigues, representada por seu reitor, professor Dr. Valdir Cechinel Filho. Com mais de 30 anos de trajetória científica dedicada ao estudo de plantas, o professor Cechinel é químico de formação, autor de 50 livros e mais de 400 artigos sobre fitoquímica e aproveitamento da biodiversidade vegetal. Atualmente em seu segundo mandato como reitor, figura entre os pesquisadores mais influentes do mundo.
Com a institucionalização do HBR — até então vinculado a uma associação privada — a expectativa é de ampliação das possibilidades de investimento, revitalização das estruturas e garantia da preservação de seu acervo histórico-científico. A Univali reforça, assim, seu compromisso com o ensino, a pesquisa e a valorização da biodiversidade, assegurando que o HBR siga cumprindo sua missão fundamental: fomentar a pesquisa botânica e conservar a memória natural do Brasil.
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