Museu Oceanográfico Univali amplia acervo com dois novos espécimes de “Diablitos do Mar”
Com as novas aquisições, a instituição passa a contar com três exemplares desta histórica e fascinante manifestação da taxidermia fantástica e da cultura marítima mundial.

O Museu Oceanográfico Univali (MOVI) anuncia a chegada de dois novos exemplares de Jenny Haniver, popularmente conhecidos como “Diablitos del Mar” ou Garadiávolos, preparados no século XIX e adquiridos pelo prof. Jules Soto de uma coleção de criptozoologia e animais fantásticos, em Amsterdã. Com a incorporação das novas peças, a instituição expande seu acervo para um total de três espécimes desta impressionante tradição secular.

Dois novos exemplares de “Diablitos do Mar” para a coleção do MOVI.
História e Origem das Criaturas
As Jenny Hanivers não são monstros lendários, mas sim carcaças de raias modificadas artesanalmente e desidratadas/mumificadas até tomarem a forma de seres místico-demoníacos, como dragões, basiliscos ou demônios marinhos.
A prática remonta ao século XVI, época em que tais curiosidades eram confeccionadas e vendidas a marinheiros, colecionadores e gabinetes de curiosidades na Europa. Uma das hipóteses para o nome Jenny Haniver é a adaptação, por marinheiros britânicos, da expressão em francês jeune d'Anvers ("jovem da Antuérpia"). Como o porto da Antuérpia (na Bélgica) era um dos principais centros de comércio marítimo da Europa, essas "criaturas" eram frequentemente comercializadas lá.
A representação mais antiga documentada de uma Jenny Haniver data de 1558, no quarto volume da célebre obra Historia Animalium, do naturalista suíço Konrad Gesner. Já no século XVI, Gesner alertava que se tratava de raias desfiguradas manualmente por artesãos, desmistificando a crença popular de que fossem dragões em miniatura ou o temido basilisco — criatura lendária que supostamente matava apenas com o olhar e cuja forma exata ninguém podia descrever.
Relevância Cultural e Folclórica
Além da Europa medieval e moderna, a tradição dos "diablitos" atravessou oceanos e culturas. No México, especificamente em Veracruz, acredita-se que os diablitos de mar possuem propriedades mágicas, sendo inclusive utilizados por curandeiros locais. Já no Japão, essa prática guarda fortes semelhanças com a taxidermia de ningyo (sereias artificiais), que eram historicamente mantidas em templos religiosos. Além disso, em algumas regiões, essa figura também ficou associada a nomes populares como "chupa-cabras ibérico" ou inspirou relatos do mitológico "monge marinho" (sea monk).
Serviço e Visitação
Os visitantes do Museu Oceanográfico Univali podem conferir de perto o exemplar em exposição na Ala Histórica e os dois novos exemplares no auditório, conhecendo mais sobre estas e outras histórias fantásticas dos oceanos.

“Diablito do Mar” em exposição na Ala Histórica do MOVI, em Balneário Piçarras/SC.



