Do ranking ao impacto real: o que a nota 4 representa na formação médica
Segundo melhor curso de Medicina de Santa Catarina, de acordo com o Enamed, Univali consolida protagonismo acadêmico com formação conectada à prática e à saúde pública

#PraTodosVerem: foto retrata uma médica realizando um exame clínico com estetoscópio em uma paciente dentro de um consultório.Formar médicos capazes de decidir com critério, agir com ética e compreender os limites e as possibilidades do sistema de saúde brasileiro exige mais do que domínio teórico. Exige prática desde o início, inserção comunitária e avaliações contínuas ao longo da formação. Esse modelo, adotado pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), encontra no desempenho de seus estudantes no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) uma confirmação objetiva.
Com nota 4 e aproveitamento de 85,3%, a Univali posicionou seu curso de Medicina entre os três mais bem avaliados de Santa Catarina, alcançando o segundo melhor desempenho entre as 17 instituições avaliadas no Estado.
Aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e com resultados divulgados na segunda quinzena de janeiro pelo Ministério da Educação (MEC), o Enamed surge, em sua primeira edição, como um novo termômetro da formação médica no país. Mais do que uma adaptação do Enade tradicional – que avalia conhecimentos gerais e específicos ao final da graduação –, o Enamed propõe uma mudança de lógica ao avaliar estudantes do sexto ano, quando competências clínicas, tomada de decisão e integração prática já estão plenamente em jogo.
Nesse contexto, a Univali se apresenta como exemplo concreto de uma transformação mais ampla: o Brasil ajustando a régua da formação médica, com Santa Catarina ocupando posição de destaque.
Para o coordenador do curso de Medicina da Univali, Pablo Sebastian Velho, o resultado reflete um processo formativo amadurecido, construído ao longo dos 12 semestres da graduação. “Nossa prioridade é formar médicos preparados para atender demandas reais da sociedade. Isso envolve pensamento crítico, ética, capacidade de decisão e compreensão do Sistema Único de Saúde. O desempenho dos estudantes indica que esse caminho está bem estruturado, mas também reforça a responsabilidade de seguir aprimorando”, afirma.
Foto: Dales Hoeckesfeld | #PraTodosVerem: Foto mostra uma estudante de saúde utilizando um estetoscópio em um manequim anatômico dentro de um laboratório.A base desse modelo está na integração entre teoria e prática desde o primeiro ano do curso. Os estudantes atuam precocemente em unidades básicas de saúde, hospitais e serviços de urgência e emergência, sempre acompanhados por professores e preceptores. A proposta pedagógica valoriza o contato direto com pacientes, o aprendizado relacional e a compreensão do contexto social em que a medicina é exercida.
No campus professor Edison Villela (Itajaí), a universidade abriga a Unidade Básica de Saúde Nossa Senhora das Graças, integrada à rede municipal, além de espaços dedicados a atendimentos clínicos especializados. O ambiente permite que os acadêmicos compreendam, desde o início, que o cuidado em saúde começa pela escuta qualificada, pelo respeito e pela responsabilidade técnica.
“O estudante precisa entender que quem procura um médico chega com uma dor, uma expectativa ou uma urgência. A formação médica passa por aprender a lidar com essas situações com preparo científico e sensibilidade humana”, explica o coordenador.
Infraestrutura, currículo e avaliação contínua como pilares da formação
Nos últimos anos, o curso passou por investimentos estruturais e acadêmicos, como a modernização dos laboratórios de Anatomia e o de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental (Toce), a inauguração do Laboratório Multiusuário de Simulação Clínica e a revisão curricular, com maior articulação entre conteúdos teóricos e experiências práticas. Segundo Pablo, essas escolhas dialogam diretamente com o tipo de competência avaliada pelo Enamed.
Neste cenário, ser o segundo melhor do Estado confirma um percurso formativo já consistente. Com nota máxima na avaliação do MEC e acreditação pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), via Sistema de Acreditação das Escolas Médicas do Brasil (Saeme), o curso de Medicina da Univali consolida sua posição entre as principais referências em Santa Catarina, com reconhecimento internacional.
Para a coordenação, processos avaliativos são relevantes quando observam a formação de maneira contínua. “A medicina não se mede por uma prova isolada. A qualidade se constrói ao longo do curso, com acompanhamento institucional, avaliações periódicas e alinhamento às diretrizes curriculares nacionais”, afirma.
Foto Dales Hoeckesfeld #ParaTodosVerem Imagem mostra um laboratório de simulação clínica.Um novo cenário na formação médica em Santa Catarina
Com nota 4 e o segundo melhor desempenho entre as 17 instituições avaliadas no Estado, o resultado da Univali a posiciona ao lado de universidades historicamente reconhecidas pela excelência na formação médica, como a Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac), e à frente de instituições de longa tradição acadêmica, como a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), cuja reputação nacional sempre foi referência na área da saúde.
Mais do que uma mudança pontual de posições, o desempenho evidencia um movimento mais amplo no ensino médico catarinense: a consolidação de modelos formativos que combinam prática precoce, integração com o sistema público de saúde, infraestrutura qualificada e forte vínculo regional. Nesse cenário, a Univali se destaca por articular excelência acadêmica, compromisso comunitário e formação alinhada às demandas contemporâneas da medicina.
Em âmbito nacional, o Enamed avaliou 351 cursos de Medicina. Do total, 163 instituições alcançaram notas 4 ou 5, consideradas as faixas mais altas da avaliação, reforçando o caráter seletivo do desempenho obtido pela Univali.


