Triagem precoce ajuda a identificar dificuldades de aprendizagem na alfabetização
Nos dias 9 e 10 de fevereiro, pesquisadora com atuação internacional apresenta na Univali intervenção aplicada em escolas dos Estados Unidos e da Europa

Foto: iStock/aquaArts studio | #PraTodosVerem: Foto de uma profissional de saúde observando um menino em uma atividade pedagógica com letras.E se a escola conseguisse identificar dificuldades de aprendizagem antes que elas se transformassem em fracasso escolar? Nem toda dificuldade na alfabetização indica um transtorno. Quando a escola realiza triagens precoces e adota intervenções estruturadas, a maioria das crianças responde positivamente e apenas uma parcela menor segue para avaliação clínica especializada.
Com esse foco, a Universidade do Vale do Itajaí (Univali) recebe, nos dias 9 e 10 de fevereiro, uma das principais pesquisadoras do país em dificuldades de aprendizagem para uma formação voltada a acadêmicos de Fonoaudiologia e profissionais das áreas da saúde e da educação. A convidada apresenta uma intervenção aplicada em sistemas educacionais dos Estados Unidos e da Europa, já validada no Brasil, que atua diretamente na sala de aula e contribui para diferenciar dificuldades pedagógicas de possíveis transtornos de aprendizagem.
“Avaliações educacionais mostram que muitas crianças chegam ao fim dos primeiros anos escolares sem domínio adequado da leitura e da escrita. Na maior parte dos casos, isso não está relacionado à falta de esforço, mas à ausência de identificação precoce e de intervenções adequadas dentro da escola”, explica a fonoaudióloga e pesquisadora Simone Aparecida Capellini, que, a convite da Univali, conduz a formação.
Reconhecida por trazer ao Brasil essa intervenção educacional amplamente utilizada em sistemas de ensino norte-americanos e adotada também em países europeus, como a Itália, Simone compartilha, ao longo de dois dias, um treinamento técnico e aplicado baseado em evidências científicas. A proposta reorganiza a forma como escolas identificam, acompanham e respondem às dificuldades de aprendizagem desde os primeiros anos de escolarização.
“Esse conhecimento muda a maneira como profissionais da saúde e da educação observam, identificam e orientam a aprendizagem na alfabetização”, afirma a docente do curso de Fonoaudiologia da Univali, professora Elisa Distefano, responsável pela vinda da pesquisadora à instituição.
Foto: Divulgação | #PraTodosVerem: Foto de retrato de uma mulher sorridente com cabelos ondulados, vestido preto e lenço estampado no pescoço. Segundo ela, a formação ganha relevância em um cenário em que avaliações educacionais apontam fragilidades persistentes na alfabetização. Indicadores como o PISA, que compara o desempenho de estudantes em diferentes países, e o SAEB e o IDEB, que avaliam a aprendizagem no Brasil, mostram que muitas crianças não alcançam, nos primeiros anos escolares, os níveis esperados de leitura e escrita.
“Ao qualificar profissionais dentro de um modelo estruturado e validado, a formação que estamos trazendo busca oferecer respostas mais consistentes aos desafios enfrentados por redes públicas e privadas de ensino”, completa.
Trata-se de uma lógica de trabalho que transforma dados educacionais em decisões pedagógicas qualificadas, com impacto direto na alfabetização e na identificação precoce de dificuldades de aprendizagem.
“É uma intervenção que organiza fluxos, reduz improvisos e cria uma linguagem comum entre educação e saúde”, reforça Elisa.
Foto: iStock/FG Trade Latin | #PraTodosVerem: Foto de uma mulher e uma criança interagindo sentadas em pufes coloridos.Pesquisa, evidência e urgência educacional
Desenvolvido nos Estados Unidos, o RTI (Response to Intervention) – ou Modelo de Resposta à Intervenção – propõe intervenções pedagógicas progressivas, monitoradas por dados, para apoiar a aprendizagem desde a alfabetização. No Brasil, o modelo foi validado a partir de pesquisas acadêmicas, com destaque para os estudos coordenados por Simone Capellini, e vem sendo adotado como referência para integrar educação e saúde em torno do desenvolvimento escolar.
A lógica parte de triagens realizadas nos primeiros anos do Ensino Fundamental, com intervenções em sala de aula e monitoramento contínuo da evolução dos estudantes. Apenas uma parcela menor segue para acompanhamentos mais especializados, o que contribui para reduzir dificuldades persistentes e tornar mais precisa a identificação de transtornos de aprendizagem.
“É uma intervenção que acontece na escola, com acompanhamento contínuo e decisões baseadas em dados. Isso muda a forma como lidamos com a aprendizagem desde o início e evita que dificuldades se acumulem ao longo da trajetória escolar”, destaca Elisa.
Quem é a pesquisadora
Simone Aparecida Capellini é professora titular em Fonoaudiologia Escolar da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp – Marília). Atua nos Programas de Pós-Graduação em Educação e em Fonoaudiologia da instituição e integra o corpo docente de doutorado da Università di Macerata, na Itália.
Sua produção científica concentra-se em linguagem escrita, avaliação da leitura e da escrita, identificação precoce de dificuldades de aprendizagem, dislexia, discalculia, TDAH e intervenções educacionais baseadas em evidências, com forte atuação em formação de professores no Brasil e no exterior.
Univali como espaço de articulação entre formação e impacto social
Ao promover uma formação com esse nível de especialização, a Univali reforça seu papel como espaço de articulação entre conhecimento científico, formação profissional e impacto social, conectando estudantes, profissionais e pesquisadores em torno de um tema decisivo para o desenvolvimento da educação básica.
Foto: iStock/Goodboy Picture Company | #PraTodosVerem: Foto de um menino de óculos em uma sala de aula com um grupo de crianças ao fundo.- Mais informações: Coordenação do curso de Fonoaudiologia da Univali – (47) 3341-7659.


