Pesquisador da Univali integra comitê científico internacional sobre baleias
Evento na Eslovênia discute gestão da caça e conservação dos cetáceos

O professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), André Barreto, é um dos cientistas que representa o Brasil na reunião bienal do Comitê Científico (SC70) da Comissão Baleeira Internacional (International Whaling Commission - IWC). O evento iniciou na segunda, 27, e segue até 8 de maio, em Bled (Eslovênia). O encontro é promovido pelo órgão responsável pela gestão da caça e conservação das baleias em águas internacionais, a IWC, formado por 89 países membros.
Esta é a sexta vez que Barreto é convidado, pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, para integrar a delegação brasileira e contribuir com as discussões do comitê científico. O professor é biólogo marinho e especialista em cetáceos, categoria que inclui as baleias, botos e golfinhos. Leciona em cursos das Escolas Politécnica e de Ciências da Saúde e no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental (PPGCTA), além de coordenar o Projeto de Monitoramento de Praia da Bacia de Santos – PMP-BS.
#ParaTodosVerem: Fotografia mostra um notebook aberto em uma mesa de conferência. Na tela, o site da International Whaling Commission (IWC). Sobre o teclado, um crachá de identificação com a foto e o nome "Andre Barreto", indicando participação no evento "SC70" em Bled, Eslovênia. Ao fundo, de forma desfocada, pessoas sentadas em cadeiras e um telão de projeção em uma sala de reunião.No centro das discussões desta reunião, da qual participam cerca de 200 cientistas, de 30 países, está a conservação dos cetáceos.
“Existem locais no mundo onde a caça é permitida, principalmente para a subsistência de povos aborígenes. No entanto, em alguns países essa atividade ainda ocorre por motivos comerciais. Somado a isso, os cetáceos estão sob diversas ameaças, assim o foco das discussões está em avaliar se a mortalidade está em níveis sustentáveis”, contextualiza o professor da Univali.
O pesquisador também cita a mortalidade acidental destes animais, decorrente das atividades de pesca. “Nesse caso, a questão é principalmente entender o problema, para avaliar se é um risco ou não para as populações de golfinhos e baleias.”, conta.
Como funciona
O professor da Univali explica que o evento é formado por diversos subcomitês, tais como a da captura aborígene, pequenos cetáceos, grandes baleias do hemisfério sul e do norte, estimativas de abundância, mortalidade não-intencional causada por seres humanos, genética, entre outros. Segundo o professor, cada um destes grupos tem agendas específicas e disponibilizam uma série de trabalhos que serão discutidos em cada sessão.
“A cada dia do evento, subcomitês diferentes se reúnem para discutir artigos e novas informações que sejam relevantes para cada área. Alguns subcomitês têm mais artigos que outros, mas geralmente os que tratam de questões ambientais apresentam mais trabalhos. No geral, são apresentados em torno de 500 estudos ao longo do evento.”, relata o biólogo.
Resultados
Ao fim da reunião do comitê, segundo o professor, é gerado um relatório contendo os principais pontos discutidos ao longo da programação. O documento, construído a partir dos vários relatórios dos subcomitês, é enviado às delegações nacionais que se reunirão em setembro, na plenária dos países membros da IWC.
“A redação desses sub-relatórios ocorre nos últimos dois dias da reunião, sendo um momento que exige muita atenção dos cientistas, pois apresenta a posição oficial de todas as delegações presentes no encontro.”, destaca Barreto.
O especialista explica que, a partir desta reunião, são gerados dados e informações que servirão para a tomada de decisões na plenária da IWC 70, que irá se reunir em setembro, na Austrália.
#ParaTodosVerem: Fotografia mostra o interior de um auditório com pessoas sentadas em mesas dispostas em fileiras. Os participantes estão de costas para a câmera, utilizando notebooks. À frente, há uma mesa com palestrantes e um telão exibindo uma transmissão de vídeo.Segundo informações divulgadas pela IWC, os dados levantados pelo Comitê Científico servem para orientar trabalhos que vão desde estimar o tamanho populacional até às preocupações ambientais e os impactos humanos nos cetáceos, como a captura acidental e as colisões com embarcações. De acordo com a entidade, os estudos também são utilizados por outras organizações científicas, de conservação e de gestão em todo o mundo.
O professor da Univali reitera que, no passado, diversas espécies de baleias foram caçadas ao ponto de suas populações não terem se recuperado até os dias de hoje.
“Além da caça predatória, surgiram diversas outras ameaças nas últimas décadas, tais como o aumento do tráfego de navios, ruído subaquático, poluentes e doenças emergentes. As discussões feitas nesta reunião do comitê científico trazem resultados importantes e que, algumas vezes, ainda nem chegaram a ser publicados. Estes estudos, que são compartilhados durante o evento, servem para discutir a respeito de problemas que impactam diretamente a conservação das espécies marinhas.”, defende o pesquisador.
Mais informações: Com o professor André Silva Barreto - abarreto@univali.br.



