Robô quadrúpede chega à Univali e abre novas fronteiras de pesquisa em ambientes complexos
Equipamento recém-chegado impulsiona investigações em engenharia, computação e gestão ambiental

Foto: Cristina T. Santos | #PraTodosVerem: Foto de um robô quadrúpede interagindo com a mão de uma pessoa em um piso cerâmico.Um robô de quatro patas, capaz de subir escadas, percorrer trilhas íngremes e avançar por estruturas onde a presença humana representa risco, passa a integrar o ecossistema de pesquisa da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). O equipamento, recém-chegado ao campus professor Edison Villela (Itajaí), inaugura uma nova plataforma de investigação para programas de pós-graduação e laboratórios da universidade, com aplicações em engenharia, computação aplicada e gestão ambiental, especialmente em cenários de difícil acesso ou potencialmente perigosos.
O robô quadrúpede — tecnologia que nos últimos anos ganhou notoriedade mundial pela semelhança com os “cães robóticos” vistos em produções de ficção científica, como a série Black Mirror — já está em operação experimental na instituição. A chegada ocorreu há algumas semanas e inaugura um conjunto de pesquisas voltadas à coleta de dados em ambientes de difícil acesso, com aplicações em engenharia, computação aplicada e gestão ambiental.
“Compramos para facilitar quando o acesso é difícil ou perigoso para uma pessoa”, explica o diretor da Escola Politécnica da Univali e pesquisador do mestrado em Computação Aplicada, professor Maurício de Campos. “Ele pode entrar em dutos, percorrer estruturas colapsadas de construções civis ou subir trilhas muito complexas, onde há risco para quem está fazendo a inspeção”, diz.
Segundo o professor, o robô foi projetado para navegar em terrenos irregulares e ambientes instáveis, mantendo equilíbrio mesmo quando sofre impactos. A estabilidade é uma das razões pelas quais modelos quadrúpedes se tornaram predominantes nesse campo tecnológico.
“Robôs bípedes têm um desafio grande relacionado ao centro de massa. Se sofrerem impacto, podem cair com facilidade. O quadrúpede tende a se estabilizar. Ele sobe e desce escadas, se adapta ao terreno e mantém equilíbrio com mais segurança”, detalha Campos.
Além da mobilidade, o equipamento também funciona como plataforma móvel de coleta de dados. Sensores instalados no próprio corpo do robô — e outros que poderão ser acoplados futuramente — vão permitir a transmissão de informações ambientais em tempo real.
“Ele vai coletar dados que poderão alimentar pesquisas do mestrado em Computação Aplicada, de áreas ligadas ao Centro de Tecnologia e Gestão Ambiental e de outros projetos interdisciplinares. A partir dessas informações, podem surgir dissertações, estudos e novas aplicações científicas”, afirma o pesquisador.
Foto: Cristina T. Santos | #PraTodosVerem: Imagem aproximada de um robô quadrúpede cinza posicionado de lado em um corredor.Tecnologia em expansão global
Os robôs quadrúpedes representam hoje um dos segmentos mais avançados da robótica aplicada. Empresas asiáticas, especialmente fabricantes chineses, lideram o desenvolvimento desses equipamentos voltados a inspeção industrial, pesquisa científica e exploração de ambientes extremos.
Entre as aplicações mais comuns estão o monitoramento de plantas petroquímicas, túneis de cabos subterrâneos, usinas de energia e áreas industriais complexas, onde sensores térmicos e câmeras especializadas ajudam a identificar riscos estruturais ou falhas operacionais.
Em cenários científicos, esses dispositivos também são utilizados em expedições em regiões remotas, como ambientes polares ou áreas de difícil acesso geográfico, transportando instrumentos e registrando dados ambientais.
Na Univali, a expectativa é que o robô funcione como uma plataforma experimental aberta, permitindo testes de sensores, algoritmos de navegação e sistemas de comunicação.
A presença do equipamento abre novas possibilidades para pesquisas envolvendo robótica, inteligência artificial, monitoramento ambiental e análise de dados. Os estudos devem envolver diferentes cursos e programas de pós-graduação da universidade, ampliando a interação entre áreas.
“Além da coleta de dados em campo, o robô também permitirá o desenvolvimento de novos algoritmos de controle, sistemas de percepção e aplicações de inteligência artificial embarcada, áreas estratégicas no cenário científico internacional”, detalha Campos.
Foto: Cristina T. Santos | #PraTodosVerem: Imagem de um robô quadrúpede se deslocando por um corredor ladeado por um grupo de pessoas.Nome ainda será escolhido
Apesar da chegada recente ao campus, o robô já desperta curiosidade entre estudantes e pesquisadores. Um detalhe curioso ainda está em aberto: o nome do novo integrante. De acordo com o professor Maurício de Campos, a universidade pretende lançar uma enquete para que a comunidade acadêmica participe da escolha.
“Todo mundo pergunta qual é o nome dele”, comenta o professor, com humor. “A ideia é fazer uma votação para decidir”, antecipa.
Foto: Cristina T. Santos | #PraTodosVerem: Imagem de um robô quadrúpede caminhando em um corredor em meio a um grupo de pessoas.


