Univali e Prefeitura de Tijucas assinam contrato para instalação de Centro de Atendimento ao Autista
Unidade funcionará ao lado do histórico Casarão Gallotti, ampliando a rede de saúde inclusiva no Vale

A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e a Prefeitura Municipal de Tijucas (SC) assinaram, nesta sexta-feira (20), contrato para a implantação do Centro de Atendimento à Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CAP-TEA) no município. A iniciativa resulta de um processo iniciado no ano passado, a partir da aproximação com experiências regionais e da identificação de uma demanda crescente por atendimento especializado, estruturado e contínuo.
“Desde aquela visita técnica ao Centro de Itapema, ficou claro que havia uma oportunidade de avançar de forma correta e profissional. Com o apoio da Univali, conseguimos entregar algo concreto para as famílias atípicas, oferecendo suporte real e melhores condições de vida. Não estamos falando apenas de terapia para crianças, mas de acolhimento ao convívio familiar como um todo”, registrou o prefeito de Tijucas, Maickon Campos Sgrott, durante a cerimônia.
Planejamento, rede pública e cuidado continuado
Com a instalação do CAP-TEA de Tijucas, a Univali amplia sua atuação como instituição comunitária e reafirma a missão de transformar conhecimento acadêmico em serviço público qualificado. A universidade acumula décadas de experiência em serviços especializados na área da habilitação física e intelectual, vinculados ao Ministério da Saúde, e vem expandindo esse modelo para além de seus campi.
“Sair dos muros da universidade e assumir projetos junto aos municípios faz parte do nosso papel institucional. Educação e saúde caminham juntas quando o objetivo é devolver à comunidade o conhecimento que produzimos”, destacou a pró-reitora de Ensino, professora Priscila de Souza.
A formalização do contrato também marca a retomada de uma relação estratégica entre a universidade e o município.
“Existe aqui um convênio com enorme potencial social. Tivemos, desde o início da atual gestão, abertura para reconstruir conexões importantes e colocar a expertise da Univali à disposição de Tijucas. Esse projeto nasce forte e abre caminho para muitas outras frentes de cooperação”, afirmou o reitor da Univali, professor Valdir Cechinel Filho.
Na prática, o novo centro responde a uma demanda histórica da rede pública do município. Durante anos, crianças com suspeita de TEA e suas famílias permaneceram em filas de espera, sem diagnóstico definido e sem acesso à estimulação precoce.
“Sabemos o quanto o diagnóstico e o início do acompanhamento, especialmente antes dos sete anos, fazem diferença no desenvolvimento. A ausência de políticas estruturadas tornava o atendimento cada vez mais difícil. Essa decisão muda esse cenário e qualifica toda a rede de saúde”, avaliou a secretária municipal de Saúde, Margareth Cadore.
Os efeitos do CAP-TEA também alcançam diretamente a educação básica. Nas escolas, o atendimento às crianças com necessidades específicas é cotidiano e a ausência de suporte especializado impõe limites ao trabalho pedagógico.
“Esse acompanhamento vai refletir diretamente dentro das unidades escolares, permitindo olhar para cada criança de forma mais precisa e apoiar também as famílias. Educação, saúde e família precisam caminhar juntas, e essa parceria fortalece exatamente esse vínculo”, observou a secretária municipal de Educação de Tijucas, Sheila Dias.
A dimensão humana do projeto esteve presente também no depoimento da primeira-dama do município, Lilian Poli, que trouxe a experiência de quem acompanhou de perto a realidade das famílias.
“A dor da espera, da suspeita sem diagnóstico e da falta de estimulação adequada sempre esteve muito clara. Ver esse projeto se concretizar é motivo de gratidão. A Univali tem competência técnica e compromisso para conduzir esse trabalho e hoje celebramos um avanço que representa cuidado e dignidade para muitas famílias”, afirmou.
#PraTodosVerem: Foto de um grupo de pessoas posando em frente ao prédio da Prefeitura de Tijucas, com alguns integrantes segurando documentos e uma cartilha sobre autismo.Localização estratégica e impacto comunitário
O CAP-TEA será instalado ao lado do Casarão Gallotti, um dos marcos históricos de Tijucas, integrando patrimônio cultural e política pública de saúde. O imóvel passa por adequações estruturais, com previsão de entrega para as próximas semanas.
Com equipe multiprofissional e atendimento integrado, a unidade ampliará o acesso a diagnósticos e terapias especializadas, ao mesmo tempo em que fortalece a formação acadêmica nas áreas da saúde e da educação. Ao avançar para Tijucas, a Univali consolida uma estratégia que articula conhecimento científico, gestão pública e impacto social direto, transformando planejamento em política concreta e cuidado em presença estruturada no território.
Em Itapema, o primeiro CAP-TEA estruturado pela Univali registra 239 atendimentos em cinco meses e aprovação de 97,3% das famílias atendidas, consolidando um modelo que integra ensino, pesquisa, extensão e impacto social direto.
O modelo CAP-TEA
O Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento que exige acompanhamento especializado e contínuo. Iniciativas como os CAP-TEAs estruturam atendimento integrado e suporte às famílias, ampliando acesso a serviços essenciais e reduzindo desigualdades regionais.
Com o avanço para Tijucas, a Univali reafirma seu papel como instituição comunitária que conecta conhecimento científico, gestão pública e impacto direto na vida das pessoas.
“A integração entre diferentes áreas da saúde – como psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional – permite um olhar holístico sobre o paciente, acelerando o desenvolvimento de habilidades sociais e cognitivas”, afirma o coordenador do projeto na Univali, professor Emmanuel Alvarenga Panizzi.



