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Credibilidade: o ativo que atravessa plataformas, gerações e transformações

Presente no encontro da Adjori/SC, Univali acompanhou debates sobre imprensa regional, desinformação e construção da confiança pública
Cristina Teresa Santos
Cristina Teresa Santos
Adjori 06.pngFoto: Divulgação Adjori/SC | #PraTodosVerem: Foto de um homem de terno falando ao microfone atrás de um púlpito transparente em um palco de premiação.

A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) acompanhou, entre os dias 26 e 28 de junho, o 52º Congresso Estadual da Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina (Adjori/SC) e o 7º Encontro Nacional de Jornais do Interior, realizados em São José (SC). O encontro reuniu representantes de empresas jornalísticas, comunicadores, especialistas e lideranças do setor para discutir credibilidade, inovação, sustentabilidade dos negócios de comunicação e os desafios da informação em ambientes digitais. A programação também incluiu a entrega dos troféus da 27ª edição do Prêmio Adjori/SC de Jornalismo, um dos mais relevantes reconhecimentos à produção jornalística catarinense.


Informação, contexto e verdade

A velocidade ocupa grande parte das conversas sobre comunicação. Novas ferramentas surgem continuamente. Algoritmos alteram comportamentos. A inteligência artificial amplia possibilidades. Os formatos mudam. Os hábitos de consumo se transformam. Todos os dias, milhares de informações atravessam telas, grupos de mensagens, plataformas e redes sociais. Algumas permanecem por segundos. Outras influenciam decisões, moldam opiniões, afetam reputações e interferem diretamente na vida das pessoas.

Mas existe uma pergunta que permanece intacta: em quem confiar?

Adjori 02.pngFoto: Divulgação Adjori/SC | #PraTodosVerem: Imagem de três pessoas sentadas em poltronas brancas participando de um painel de discussão em um palco decorado com bandeiras.

A resposta passa pelo jornalismo.

Porque se a confiança tornou-se um dos bens mais disputados do nosso tempo, quem verifica informações, confronta fontes, contextualiza acontecimentos e compreende que uma notícia não termina na publicação, tem um compromisso permanente com a sociedade.

Durante muito tempo, a credibilidade esteve associada à força de uma marca, à tradição de um veículo ou ao peso de uma assinatura. Hoje, ela depende cada vez mais da coerência entre discurso e prática. É construída reportagem após reportagem, edição após edição, publicação após publicação.

Talvez por isso a palavra mais presente durante o 52º Congresso Estadual da Adjori/SC e 7º Encontro Nacional de Jornais do Interior tenha sido credibilidade. O tema “autoridade e credibilidade, nosso valor nos meios impresso e digital” esteve presente em praticamente todas as discussões. Em diferentes perspectivas, palestrantes e participantes convergiram para uma constatação que atravessa o setor: a credibilidade permanece sendo o principal patrimônio dos veículos de comunicação, independentemente da plataforma utilizada.

A programação foi marcada também pela entrega dos troféus Miguel Ângelo Gobbi aos vencedores do Prêmio Adjori/SC de Jornalismo, que reuniu trabalhos de jornalismo impresso, jornalismo on-line, publicidade & propaganda e área acadêmica. Jornalista, presidente de honra da Adjori Santa Catarina, ex-presidente da Adjori Brasil e uma das figuras mais importantes na consolidação da imprensa do interior em Santa Catarina, Gobbi faleceu em 25 de fevereiro deste ano e foi homenageado com seu nome na premiação por conta de sua trajetória dedicada ao fortalecimento da mídia regional.

Adjori 01.pngFoto: Divulgação Adjori/SC | #PraTodosVerem: Foto de um homem de terno discursando em um púlpito de lado para um grande grupo de pessoas sentadas em uma plateia.

Em um ambiente que produz informação em escala industrial, a qualidade acompanhou os debates. Qualidade na apuração. Qualidade na escrita. Qualidade na escolha das fontes. Qualidade na capacidade de explicar assuntos complexos com clareza.

Porque informação que permanece é aquela que ajuda a compreender.

Um dos pontos interessantes do encontro foi justamente a diferença entre informar e apenas fazer circular conteúdos. Em uma época marcada pelo consumo rápido, cresce o desafio de transformar informação em conhecimento. Sem contexto, verificação e aprofundamento, muitos conteúdos ganham alcance sem necessariamente contribuir para a compreensão dos fatos.

Os jornais do interior, nesse cenário, acompanham de perto a realidade de suas comunidades, registram transformações econômicas, culturais e sociais e preservam a memória coletiva das cidades. São veículos que conhecem os desafios locais, acompanham decisões que impactam diretamente a população e contribuem para ampliar a participação cidadã.

E essa proximidade gera algo valioso: conhecimento de contexto.

Conhecer uma região, suas demandas, sua cultura, seus desafios e suas potencialidades continua sendo uma das maiores forças do jornalismo local.

Essa proximidade também ajuda a distinguir informação de relevância pública do fluxo permanente de conteúdos que ocupa as plataformas digitais – cada vez mais orientadas pela velocidade, engajamento e consumo instantâneo.

O avanço das deepfakes, a circulação acelerada de conteúdos manipulados e a dificuldade de distinguir fato, opinião e especulação ampliam a responsabilidade dos veículos de comunicação. Quanto maior o ruído informacional, maior a importância da rastreabilidade, da apuração rigorosa e do compromisso com a verdade para sustentar e fortalecer a relação com o público.

No evento, a cobertura eleitoral apareceu como um exemplo concreto dessa responsabilidade. Em meio à circulação de boatos, interpretações apressadas e conteúdos enganosos, foi reforçada a importância de a imprensa atuar como referência para informações verificadas, oferecendo ao público fontes confiáveis em momentos que exigem clareza e segurança informacional.

Adjori 03.pngFoto: Divulgação Adjori/SC | #PraTodosVerem: Foto com foco em um grande telão exibindo um infográfico intitulado "Dimensionando as eleições em SC" diante de uma plateia.

Dessa forma, a presença digital deixou de ser uma escolha para se tornar parte integrante da atividade jornalística – essencialmente dos jornais de interior. O debate já não gira em torno da substituição de formatos, mas da manutenção dos valores que sustentam o jornalismo em qualquer ambiente. A credibilidade construída ao longo de décadas no impresso precisa acompanhar o público nas plataformas digitais, mantendo os mesmos critérios editoriais, o mesmo compromisso com a informação qualificada e a mesma responsabilidade social.

As apresentações trouxeram ainda contribuições importantes sobre relacionamento com a imprensa, estratégias de comunicação institucional, programas de incentivo ao jornalismo e iniciativas voltadas à formação e valorização dos profissionais da área. Ficou evidente que fortalecer o ecossistema da informação passa por investimentos contínuos em capacitação, inovação e reconhecimento da atividade jornalística.

Adjori 05.pngFoto: Divulgação Adjori/SC | #PraTodosVerem: Foto da silhueta de pessoas em um salão de jantar voltadas para um grande telão iluminado com a palavra "PROTAGONISTAS".

A relevância desse debate também aparece nos números. Pesquisa do Instituto Ipsos, citada durante o congresso, mostra que a imprensa e os governos locais compartilham um índice de 54% de confiança junto à população. Em um ambiente marcado pela sobrecarga de informações e pela circulação de conteúdos duvidosos, o dado revela a importância de instituições capazes de oferecer referências confiáveis para a sociedade. Esse capital simbólico exige responsabilidade permanente. Confiança não se constrói apenas pela tradição de um veículo, mas pela consistência de seu trabalho diário.

Ficou clara a dimensão do desafio e, ao mesmo tempo, das oportunidades que se apresentam para a comunicação regional. Em uma sociedade conectada por múltiplas plataformas, a busca por fontes seguras, informações verificadas e narrativas contextualizadas continua mobilizando pessoas, instituições e comunidades.

Em quem confiar?

Talvez essa seja a questão mais importante para o jornalismo contemporâneo. E a resposta continua sendo construída da mesma forma que sempre foi: com apuração, contexto, responsabilidade e compromisso público. Porque a credibilidade não surge da tecnologia utilizada para publicar uma informação. Surge da confiança conquistada por quem a produz.

Adjori 04.pngFoto: Divulgação Adjori/SC | #PraTodosVerem: Imagem de um grande salão com várias mesas redondas ocupadas por um grupo de pessoas em um evento formal de premiação.


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