Credibilidade: o ativo que atravessa plataformas, gerações e transformações
Presente no encontro da Adjori/SC, Univali acompanhou debates sobre imprensa regional, desinformação e construção da confiança pública

Foto: Divulgação Adjori/SC | #PraTodosVerem: Foto de um homem de terno falando ao microfone atrás de um púlpito transparente em um palco de premiação.A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) acompanhou, entre os dias 26 e 28 de junho, o 52º Congresso Estadual da Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina (Adjori/SC) e o 7º Encontro Nacional de Jornais do Interior, realizados em São José (SC). O encontro reuniu representantes de empresas jornalísticas, comunicadores, especialistas e lideranças do setor para discutir credibilidade, inovação, sustentabilidade dos negócios de comunicação e os desafios da informação em ambientes digitais. A programação também incluiu a entrega dos troféus da 27ª edição do Prêmio Adjori/SC de Jornalismo, um dos mais relevantes reconhecimentos à produção jornalística catarinense.
Informação, contexto e verdade
A velocidade ocupa grande parte das conversas sobre comunicação. Novas ferramentas surgem continuamente. Algoritmos alteram comportamentos. A inteligência artificial amplia possibilidades. Os formatos mudam. Os hábitos de consumo se transformam. Todos os dias, milhares de informações atravessam telas, grupos de mensagens, plataformas e redes sociais. Algumas permanecem por segundos. Outras influenciam decisões, moldam opiniões, afetam reputações e interferem diretamente na vida das pessoas.
Mas existe uma pergunta que permanece intacta: em quem confiar?
Foto: Divulgação Adjori/SC | #PraTodosVerem: Imagem de três pessoas sentadas em poltronas brancas participando de um painel de discussão em um palco decorado com bandeiras.A resposta passa pelo jornalismo.
Porque se a confiança tornou-se um dos bens mais disputados do nosso tempo, quem verifica informações, confronta fontes, contextualiza acontecimentos e compreende que uma notícia não termina na publicação, tem um compromisso permanente com a sociedade.
Durante muito tempo, a credibilidade esteve associada à força de uma marca, à tradição de um veículo ou ao peso de uma assinatura. Hoje, ela depende cada vez mais da coerência entre discurso e prática. É construída reportagem após reportagem, edição após edição, publicação após publicação.
Talvez por isso a palavra mais presente durante o 52º Congresso Estadual da Adjori/SC e 7º Encontro Nacional de Jornais do Interior tenha sido credibilidade. O tema “autoridade e credibilidade, nosso valor nos meios impresso e digital” esteve presente em praticamente todas as discussões. Em diferentes perspectivas, palestrantes e participantes convergiram para uma constatação que atravessa o setor: a credibilidade permanece sendo o principal patrimônio dos veículos de comunicação, independentemente da plataforma utilizada.
A programação foi marcada também pela entrega dos troféus Miguel Ângelo Gobbi aos vencedores do Prêmio Adjori/SC de Jornalismo, que reuniu trabalhos de jornalismo impresso, jornalismo on-line, publicidade & propaganda e área acadêmica. Jornalista, presidente de honra da Adjori Santa Catarina, ex-presidente da Adjori Brasil e uma das figuras mais importantes na consolidação da imprensa do interior em Santa Catarina, Gobbi faleceu em 25 de fevereiro deste ano e foi homenageado com seu nome na premiação por conta de sua trajetória dedicada ao fortalecimento da mídia regional.
Foto: Divulgação Adjori/SC | #PraTodosVerem: Foto de um homem de terno discursando em um púlpito de lado para um grande grupo de pessoas sentadas em uma plateia.Em um ambiente que produz informação em escala industrial, a qualidade acompanhou os debates. Qualidade na apuração. Qualidade na escrita. Qualidade na escolha das fontes. Qualidade na capacidade de explicar assuntos complexos com clareza.
Porque informação que permanece é aquela que ajuda a compreender.
Um dos pontos interessantes do encontro foi justamente a diferença entre informar e apenas fazer circular conteúdos. Em uma época marcada pelo consumo rápido, cresce o desafio de transformar informação em conhecimento. Sem contexto, verificação e aprofundamento, muitos conteúdos ganham alcance sem necessariamente contribuir para a compreensão dos fatos.
Os jornais do interior, nesse cenário, acompanham de perto a realidade de suas comunidades, registram transformações econômicas, culturais e sociais e preservam a memória coletiva das cidades. São veículos que conhecem os desafios locais, acompanham decisões que impactam diretamente a população e contribuem para ampliar a participação cidadã.
E essa proximidade gera algo valioso: conhecimento de contexto.
Conhecer uma região, suas demandas, sua cultura, seus desafios e suas potencialidades continua sendo uma das maiores forças do jornalismo local.
Essa proximidade também ajuda a distinguir informação de relevância pública do fluxo permanente de conteúdos que ocupa as plataformas digitais – cada vez mais orientadas pela velocidade, engajamento e consumo instantâneo.
O avanço das deepfakes, a circulação acelerada de conteúdos manipulados e a dificuldade de distinguir fato, opinião e especulação ampliam a responsabilidade dos veículos de comunicação. Quanto maior o ruído informacional, maior a importância da rastreabilidade, da apuração rigorosa e do compromisso com a verdade para sustentar e fortalecer a relação com o público.
No evento, a cobertura eleitoral apareceu como um exemplo concreto dessa responsabilidade. Em meio à circulação de boatos, interpretações apressadas e conteúdos enganosos, foi reforçada a importância de a imprensa atuar como referência para informações verificadas, oferecendo ao público fontes confiáveis em momentos que exigem clareza e segurança informacional.
Foto: Divulgação Adjori/SC | #PraTodosVerem: Foto com foco em um grande telão exibindo um infográfico intitulado "Dimensionando as eleições em SC" diante de uma plateia.Dessa forma, a presença digital deixou de ser uma escolha para se tornar parte integrante da atividade jornalística – essencialmente dos jornais de interior. O debate já não gira em torno da substituição de formatos, mas da manutenção dos valores que sustentam o jornalismo em qualquer ambiente. A credibilidade construída ao longo de décadas no impresso precisa acompanhar o público nas plataformas digitais, mantendo os mesmos critérios editoriais, o mesmo compromisso com a informação qualificada e a mesma responsabilidade social.
As apresentações trouxeram ainda contribuições importantes sobre relacionamento com a imprensa, estratégias de comunicação institucional, programas de incentivo ao jornalismo e iniciativas voltadas à formação e valorização dos profissionais da área. Ficou evidente que fortalecer o ecossistema da informação passa por investimentos contínuos em capacitação, inovação e reconhecimento da atividade jornalística.
Foto: Divulgação Adjori/SC | #PraTodosVerem: Foto da silhueta de pessoas em um salão de jantar voltadas para um grande telão iluminado com a palavra "PROTAGONISTAS".A relevância desse debate também aparece nos números. Pesquisa do Instituto Ipsos, citada durante o congresso, mostra que a imprensa e os governos locais compartilham um índice de 54% de confiança junto à população. Em um ambiente marcado pela sobrecarga de informações e pela circulação de conteúdos duvidosos, o dado revela a importância de instituições capazes de oferecer referências confiáveis para a sociedade. Esse capital simbólico exige responsabilidade permanente. Confiança não se constrói apenas pela tradição de um veículo, mas pela consistência de seu trabalho diário.
Ficou clara a dimensão do desafio e, ao mesmo tempo, das oportunidades que se apresentam para a comunicação regional. Em uma sociedade conectada por múltiplas plataformas, a busca por fontes seguras, informações verificadas e narrativas contextualizadas continua mobilizando pessoas, instituições e comunidades.
Em quem confiar?
Talvez essa seja a questão mais importante para o jornalismo contemporâneo. E a resposta continua sendo construída da mesma forma que sempre foi: com apuração, contexto, responsabilidade e compromisso público. Porque a credibilidade não surge da tecnologia utilizada para publicar uma informação. Surge da confiança conquistada por quem a produz.
Foto: Divulgação Adjori/SC | #PraTodosVerem: Imagem de um grande salão com várias mesas redondas ocupadas por um grupo de pessoas em um evento formal de premiação.

