Especialista internacional revela 5 técnicas para hackear o cérebro
Alunos do Ensino Médio da Univali aprendem a abandonar métodos de estudo que não funcionam em palestra nesta quinta, 19

#PraTodosVerem: Foto de um palestrante sentado na borda de um palco de auditório com bandeiras à esquerda, um grande telão ao fundo e um grupo de estudantes na plateia.Estudar muito nem sempre significa aprender. Para romper com a frustração de quem se dedica aos livros, mas não retém o conteúdo, o Colégio de Aplicação da Universidade do Vale do Itajaí (Univali / CAU) recebeu nesta quinta-feira, 19, o médico e neurocientista Carlos Fernando Collares.
Com o tema "Hackeando o Estudo", o especialista apresentou, aos alunos do Ensino Médio do CAU, técnicas práticas que transformam o esforço em resultado real, mostrando que o segredo não está na quantidade de horas, mas na forma como o cérebro processa a informação.
"A ideia de trazer essas técnicas vem da vontade de popularizar o que realmente funciona. Se o aluno se esforça e não chega ao resultado, ele se sente frustrado. Ajudar o estudante e o professor é o caminho para transformar o Brasil pela educação", pontuou o palestrante.
O fim da ilusão de aprender
A narrativa de que "estudar muito" garante sucesso foi colocada à prova durante o encontro. Segundo Collares, que também é doutor em Psicologia, muitos vivem sob uma "ilusão de competência" ao utilizarem métodos passivos. "Acho que uma boa parte dos estudantes nunca recebeu uma orientação explícita sobre como estudar de forma eficiente. Não é de se espantar que se sintam frustrados por se esforçar tanto e não alcançar o resultado esperado", destacou.
Com uma trajetória que inclui uma década como professor na Universidade de Maastricht, nos Países Baixos, Collares trouxe para a Univali a essência do movimento Study Smart. Ele apresentou dados que surpreenderam o auditório: o simples ato de fazer autotestes (como flashcards ou simulados) pode aumentar a retenção do conteúdo em 50% quando comparado à leitura passiva.
"Aprender é como respirar: precisa de inspiração e expiração. Para o conhecimento entrar, ele também precisa sair", comparou, reforçando que o cérebro precisa ser desafiado para gravar a informação.
O que realmente funciona (e o que é perda de tempo)
Durante a palestra, Collares detalhou o que ele chama de "técnicas campeãs", organizadas em um ranking que vai do primeiro passo para o entendimento até a estratégia definitiva de memorização:
5º LUGAR: Interrogação Elaborativa (o eterno "por quê?")
Não aceite a informação de forma passiva. Ao estudar um fato, questione constantemente: "Por que isso é verdade?".
Como funciona: isso força o cérebro a buscar conexões com o que você já sabe. É excelente para entender as causas de eventos históricos ou regras da biologia, criando "âncoras" na memória.
4º LUGAR: Autoexplicação (professor de si mesmo)
Técnica poderosa para exatas e ciências. Consiste em verbalizar cada passo do seu raciocínio enquanto resolve um problema.
- Como funciona: ao explicar o "como" e o "porquê" em voz alta, você processa a informação de forma profunda e percebe imediatamente onde estão as suas dúvidas.
3º LUGAR: Prática Intercalada (misturar para dominar)
Em vez de fazer 30 exercícios iguais, misture os temas. Alterne entre diferentes tipos de problemas ou tópicos de uma mesma matéria.
- Como funciona: na vida real, os desafios não vêm organizados por capítulos. Essa técnica treina o cérebro para identificar qual estratégia usar em cada situação, aumentando o desempenho em até 43% em matérias como matemática.
2º LUGAR: Prática Distribuída (espaçar para não esquecer)
O segredo não é a intensidade, mas a frequência. É muito melhor estudar uma hora por dia durante uma semana do que sete horas seguidas em um único dia.
- Como funciona: o cérebro precisa de tempo e sono para consolidar memórias. Revisar em intervalos crescentes combate a curva do esquecimento e garante que o conteúdo não desapareça após a prova.
1º LUGAR: Autoteste (a prática de recuperação)
A técnica soberana. Consiste em tentar recordar a informação sem olhar o material. Vale usar flashcards, simulados ou simplesmente fechar o livro e anotar tudo o que lembra.
- Como funciona: aprender exige esforço. O ato de "forçar" o cérebro a buscar a informação fortalece os caminhos neurais. Mesmo que você erre, o esforço da tentativa fixa o conteúdo 50% melhor do que ler o mesmo texto várias vezes.
Dica de ouro:
O especialista reforça que as técnicas que parecem mais difíceis (como o autoteste) são as que geram aprendizado real, enquanto as mais fáceis (como grifar e reler) criam apenas uma falsa sensação de conhecimento.
Legitimidade e protagonismo estudantil
A iniciativa da Univali reforça o papel da instituição como um ecossistema vivo de inovação pedagógica, onde o aluno deixa de ser um espectador para se tornar um "sujeito aprendente". A conexão entre a academia e o Ensino Médio cria um fluxo de conhecimento que prepara não apenas para exames, mas para a complexidade da era das distrações.
"Para o Colégio de Aplicação da Univali, a presença do professor Carlos Fernando Collares é preciosa porque legitima a importância de estudar. Ela ensina que este aluno pode se reconhecer como sujeito de sua própria aprendizagem, desde que amplie a consciência sobre suas escolhas e seu jeito de ser", afirma a diretora CAU, professora Arlete Kumm.
IA como aliada: a tecnologia a serviço da memória
Além das técnicas comportamentais, o neurocientista apresentou uma ferramenta tecnológica para acelerar o processo de "hackear" o cérebro: o NotebookLM, do Google. A plataforma foi indicada como a inteligência artificial preferida do especialista para transformar arquivos densos em materiais de estudo dinâmicos.
Segundo Collares, a ferramenta é ideal para aplicar as estratégias discutidas, pois converte automaticamente textos em resumos, gera flashcards para a prática de autoteste e até cria podcasts e testes personalizados. "Na era das distrações, a aprendizagem profunda é difícil, mas o modo avião e o uso estratégico dessas ferramentas valem ouro", destacou o médico.
A ciência do sucesso escolar
Os estudos do professor Collares baseiam-se em conceitos como a "Dificuldade Desejável", que remonta a estudos da psicologia cognitiva que revolucionaram o ensino nas últimas décadas. A ciência moderna prova que, quando o estudo parece "fácil demais" (como apenas reler), o cérebro esquece rápido. Quando o estudo exige esforço (como tentar lembrar de cabeça), a memória se torna duradoura.
O Colégio de Aplicação da Univali, ao integrar estas práticas internacionais ao seu currículo, alinha-se às tendências de instituições como a Universidade de Maastricht, pioneira em métodos de Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL), trazendo para o solo catarinense o que há de mais avançado no cenário educacional global e unindo bem-estar, saúde mental e alta performance acadêmica.
Mais do que passar em provas, aprender significa compreender, aplicar, analisar, criar e ensinar. Nesse cenário, Collares destaca que o processo de aprendizagem deve ir além da memorização, incorporando práticas que fortalecem a memória, promovem conexões e estimulam o pensamento crítico.
O conteúdo compartilhado com os estudantes é fruto da trajetória de Collares consolidada no livro "Hackeando o Estudo", obra que nasceu da missão do autor de democratizar no Brasil as estratégias de aprendizagem que ensinou por uma década na Europa. "Escrever o livro faz parte desse movimento de transformar o país pela educação, oferecendo ferramentas que tornam o ensino realmente eficaz", explica o médico.
- O guia, que funciona como um manual detalhado para alunos e professores, pode ser adquirido aqui.
- Mais sobre o palestrante, aqui.


