Livro com cartas inéditas entre Darwin e Fritz Müller é lançado na Univali
Evento reúne comunidade e acadêmicos de Pedagogia em roda de conversa com a autora da obra na terça, 17

A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) recebe, no dia 17 de março, o lançamento da obra “Cartas entre Fritz Müller e Charles Darwin”, que reúne e contextualiza as 110 correspondências trocadas entre os dois naturalistas ao longo de 17 anos. O evento conta com a presença da historiadora Ana Maria Ludwig Moraes, organizadora do livro, que também participa de uma roda de conversa com acadêmicos do curso de Pedagogia.
Foto: Divulgação | #PraTodosVerem: Foto de uma mulher sentada ao ar livre folheando um livro que exibe ilustrações de borboletas.Resultado de oito anos de investigação histórica, a publicação apresenta, de forma integral e comentada, documentos que ajudam a compreender como a teoria da seleção natural ganhou sustentação empírica a partir de observações realizadas na Mata Atlântica. O lançamento ocorre no auditório 3 do Bloco F2, das 19h às 22h, com entrada gratuita. A comunidade interessada pode se inscrever pelo site da Univali.
Um diálogo científico que atravessou oceanos
Quando Charles Darwin publicou On the Origin of Species, em 24 de novembro de 1859, a teoria da seleção natural ainda enfrentava resistência e carecia de evidências fora da Europa. Em 1861, Fritz Müller recebeu um exemplar da obra em Santa Catarina e passou a confrontar as ideias do cientista inglês com suas próprias observações de campo no litoral brasileiro.
Foto: Divulgação | #PraTodosVerem: Imagem de uma prancha científica com ilustrações e espécimes reais de diferentes tipos de borboletas.O trabalho com crustáceos coletados na Praia de Fora, em Florianópolis (Desterro à época), resultou na publicação de Für Darwin, em 1864. No ano seguinte, Darwin escreveu a primeira carta a Müller, inaugurando um intercâmbio que se estendeu por 17 anos, até a morte do cientista inglês, em 1882. Ao longo desse período, dados sobre crustáceos, insetos e flora da Mata Atlântica contribuíram para ampliar o alcance geográfico e científico da teoria da evolução.
“O conteúdo das cartas é uma fonte primária fundamental para o estudo da história da ciência no século XIX. Elas mostram os caminhos, as dificuldades e os avanços que fundamentam o que conhecemos hoje”, afirma a historiadora e autora Ana Maria Ludwig Moraes.
O conjunto das correspondências integra o acervo do Darwin Correspondence Project, vinculado à Biblioteca da Universidade de Cambridge, que catalogou mais de 15 mil cartas. No prefácio da obra, os coordenadores do projeto destacam a relevância do diálogo com o naturalista catarinense para a compreensão do pensamento evolucionista.
O projeto, que contou com o apoio do Instituto Histórico de Blumenau (IHB) e do Consulado Honorário do Reino Unido, celebra também o aniversário de nascimento do naturalista catarinense, em 31 de março. É o encerramento de um ciclo de pesquisa iniciado em 2018 que democratiza o acesso a um conteúdo científico extremamente rico que permaneceu restrito aos arquivos britânicos por décadas.
900 espécies e um inventário científico
Com 400 páginas, edição bilíngue e revisão de especialistas em Botânica e Entomologia, o livro reúne cerca de 900 espécies citadas ou descritas nas cartas. A pesquisa revisou nomenclaturas científicas e organizou um inventário dividido entre fauna marinha, botânica e entomologia/aracnídeos e funciona como um espelho retrovisor para a Mata Atlântica do século XIX, oferecendo dados vitais para a compreensão do bioma e para ações contemporâneas de preservação.
As correspondências revelam não apenas resultados, mas o processo científico em construção — hipóteses, revisões, debates e colaboração internacional.
Entre os achados documentais está a comprovação do título “Príncipe dos Observadores”, expressão utilizada por Darwin em referência a Müller, identificada em carta de 1880 ao botânico Ernst Krause e preservada na Biblioteca Huntington, na Califórnia.
Foto: Divulgação | #PraTodosVerem: Foto em close de mãos folheando um livro aberto que mostra imagens coloridas de borboletas e plantas.Lançamento e formação docente
Além do lançamento, a presença da autora na Univali inclui uma roda de conversa com estudantes de Pedagogia. A programação integra a agenda nacional de lançamentos da obra em universidades e instituições culturais. O evento deve contar com a participação de um egresso da Univali caracterizado como Fritz Müller, em intervenção artística que contextualiza o personagem histórico.
Sobre a autora
Ana Maria Ludwig Moraes é historiadora, pesquisadora e membro do Instituto Histórico de Blumenau (IHB). Atua na investigação e difusão da História da Ciência, com ênfase no legado de Fritz Müller.
Desde 2018, dedicou-se à pesquisa no Darwin Correspondence Project, na Inglaterra, conduzindo a transcrição e tradução do conjunto completo de cartas trocadas entre Müller e Charles Darwin — trabalho que resultou na publicação bilíngue “Cartas entre Fritz Müller e Charles Darwin” (2026).
É autora e organizadora de obras sobre história regional e cultura científica, entre elas “O Desfile do Tempo” (2020) e “Amor à Natureza em Poesia” (2023). Também atua como produtora cultural e diretora executiva da Manduá Projetos Culturais, desenvolvendo pesquisas, edições e projetos de valorização do patrimônio histórico.
Serviço
- Lançamento do livro “Cartas entre Fritz Müller e Charles Darwin” e roda de conversa com Ana Maria Ludwig Moraes
Data: 17 de março de 2026
Horário: 19h às 22h
Local: Auditório 3, Bloco F2 – Univali
Tanto o evento quanto o livro são gratuitos
Inscrições: https://portal.univali.br/eventos/9775


