Marégrafo ajudará a prever o comportamento das marés em Itajaí
Univali e Defesa Civil ficam responsáveis pela análise de dados coletados pelo equipamento, reinstalado nesta quinta (8), em Cabeçudas

O município de Itajaí voltará a contar com um marégrafo na região costeira, instrumento capaz de medir continuamente o nível do mar. Os dados que serão coletados por essa estação de monitoramento oceanográfico ajudarão a prever, com mais precisão técnica, as variações e os efeito das marés sobre a cidade. A reinstalação do equipamento ocorreu nesta quinta (8), no Cabeçudas Iate Clube, na Praia de Cabeçudas.
Foto: karine Gerlach #ParaTodosVerem: Fotografia mostra equipes trabalhando na instalação de um marégrafo em um píer, com o equipamento instalado à beira da água. Ao fundo, há vegetação, construções e o mar.A análise dos dados coletados via marégrafo, segue sendo realizada por pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que já exerciam a atividade na fase anterior de operação do equipamento. Desde 2018, a atividade vinha sendo executada por meio de uma parceria técnico-científica entre a Universidade e a Superintendência do Porto de Itajaí.
Foto: karine Gerlach #ParaTodosVerem: Fotografia mostra equipes trabalhando na instalação de um marégrafo em um píer, com o equipamento instalado à beira da água. Ao fundo, há vegetação, construções e o mar.Nesta nova etapa, a atividade passa a ser realizada junto com a Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil do município e contará com o suporte operacional da empresa Qualle Control, que assume a responsabilidade de instalar e integrar o equipamento ao sistema de telemetria da cidade.
O oceanógrafo e professor da Univali, Mauro Michelena, afirma que o marégrafo ficou fora de operação por cerca de um ano, devido a danos estruturais no equipamento. Após o conserto e substituição do sensor, viabilizado por meio da parceria com o Município, os dados voltarão a ser coletados e disponibilizados no site oficial da Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil.
Foto: karine Gerlach #ParaTodosVerem: Fotografia mostra três homens observando a água em um píer. Dois usam coletes azuis com a identificação “UNIVALI” e um usa camiseta com a inscrição “Defesa Civil Itajaí - SC”.“Nós temos uma parceria muito forte com a Univali que, inclusive, nos auxiliou na construção do sistema de telemetria que foi pioneiro no Brasil. O marégrafo já vinha fornecendo os dados para a Defesa Civil e, ao longo dos anos, nós fomos conversando para que pudéssemos integrar este equipamento ao sistema de telemetria da cidade, que já mede o nível dos rios. Essas informações são cruciais para a Defesa Civil e nos auxiliam muito na tomada de decisões, especialmente, diante do risco de desastres”, reconheceu o coordenador de Monitoramento e Alerta, Marinho Lopes Stringari Filho.
Influência das marés
A utilização do equipamento vai permitir monitorar a influência das marés sobre o comportamento dos rios Itajaí-Açu e Itajaí-Mirim e os seus efeitos sobre o escoamento da água em área urbana.
“Essas informações vão oferecer uma visão mais ampla sobre o contexto hidrológico do município e devem ajudar, especialmente, em situações de maré alta e enchente dos rios”, afirma o professor.
Foto: karine Gerlach #ParaTodosVerem: Fotografia mostra homem em contato com um marégrafo. O equipamento está instalado à beira da água. Ao fundo, há vegetação, um píer e o mar.Michelena chama a atenção para a existência de uma dinâmica peculiar, na Foz do Rio Itajaí-Açu, que envolve tanto as cheias do rio, como também o efeito combinado entre a maré e o vento.
“É o oceano que controla o escoamento das águas que descem pelo rio. Quando ocorrem chuvas intensas na Região do Alto Vale e o nível do mar está alto, forma-se uma barreira natural que represa toda essa água. Esta condição leva ao transbordamento para as áreas urbanas da cidade”, afirma.
Município pode alagar mesmo com tempo firme
Mesmo sem chuva e com o rio em vazão normal, conta o professor, Itajaí também está sujeita a situação de alagamentos. Isso acontece na conjunção da maré de sizígia (quando ocorre a maré astronômica mais alta nos períodos de lua cheia ou lua nova) com a maré meteorológica positiva (gerada por ventos fortes do Sul).
“Essa combinação eleva o nível do mar acima do normal e empurra a água do oceano para dentro da foz, causando alagamentos nas ruas próximas ao rio, até mesmo em dias de tempo seco”, afirma.
Dados e prevenção
Com o marégrafo de radar operando novamente na área costeira, a cidade passa a ter dados contínuos e precisos sobre o comportamento das marés. Essa informação em tempo real, na avaliação do pesquisador, viabiliza o cruzamento de dados e a antecipação de riscos permitindo que a Defesa Civil e os órgãos competentes atuem com maior antecedência para proteger a população e a infraestrutura de Itajaí.
Foto: karine Gerlach #ParaTodosVerem: Fotografia mostra um marégrafo. O equipamento está instalado à beira da água. Ao fundo, há vegetação, um píer e o mar.Além disso, Michelena também destaca que os dados coletados pelo equipamento seguirão sendo utilizados para embasar estudos, pesquisas e projetos acadêmicos na área ambiental, assim como para a navegação no canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí.





















