Novas regras da enfermagem colocam Univali em sintonia com formação mais prática e humanizada
Curso da Universidade do Vale do Itajaí já atende boa parte das novas exigências nacionais e projeta ampliação da integração com o SUS

A publicação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para os cursos de Enfermagem, feita pelo Conselho Nacional de Educação no último dia 19, marca uma mudança importante na formação dos futuros enfermeiros no Brasil. Na prática, as novas regras reforçam algo que os próprios profissionais da área defendem há anos: a enfermagem precisa de formação presencial, contato direto com pacientes e vivência real nos serviços de saúde.
Crédito: iStock - shapecharge #ParaTodosVerem: imagem mostra profissionais da saúde conversando em ambiente hospitalarAs mudanças foram construídas ao longo de 14 anos de debates entre entidades da educação e da saúde e passam a valer como referência para todas as universidades do país. Entre os principais pontos está a exigência de carga horária mínima de 4 mil horas para o bacharelado, com duração de pelo menos cinco anos e formação majoritariamente presencial.
Na avaliação da coordenadora do curso de Enfermagem da Univali, professora Rita de Cássia Teixeira Rangel, essa decisão é essencial para garantir a qualidade da profissão.
"O enfermeiro e a enfermeira precisam desenvolver habilidades que não podem ser aprendidas apenas de forma online, como raciocínio clínico, trabalho em equipe, comunicação com pacientes, tomada de decisões e segurança no atendimento", enfatiza.
A coordenadora explica que o curso da universidade já está alinhado à nova diretriz. Atualmente, apenas 5,38% da carga horária da chamada “Matriz 9” acontece em formato EAD, número bem abaixo do limite permitido pela nova regulamentação.
Mais presença nos serviços de saúde
Outro ponto central das novas regras é o fortalecimento dos estágios supervisionados. O texto determina que eles representem 30% da carga total do curso, divididos igualmente entre a atenção primária — como postos de saúde e unidades básicas — e a atuação hospitalar e de média complexidade.
De acordo com Rita Rangel, a Univali já possui forte integração com a rede pública de saúde da região, incluindo secretarias municipais, hospitais, maternidades e unidades de saúde. Mesmo assim, ela reconhece que será necessário reorganizar parte da matriz curricular para atender completamente às novas exigências do Conselho Nacional de Educação.
"Hoje, o curso já conta com 1.440 horas de estágio obrigatório. A expectativa é ampliar ainda mais a articulação com os serviços do SUS para garantir experiências práticas diversificadas aos estudantes", destaca a coordenadora
Formação humana e social
As novas diretrizes também ampliam o olhar sobre a formação humana e social desses profissionais. Temas como direitos humanos, inclusão social, relações étnico-raciais, acessibilidade, sustentabilidade e libras ganharão destaque obrigatório na graduação.
Esses conteúdos, segundo a coordenadora, já fazem parte da formação oferecida pela Univali. "Esses assuntos aparecem em disciplinas ligadas à bioética, saúde coletiva, educação em saúde e projetos comunitários. Além disso, o curso possui mais de 400 horas dedicadas à extensão universitária, aproximando os estudantes das realidades sociais e sanitárias da comunidade", diz.
Crédito: iStock - PeopleImages #ParaTodosVerem: close da mão de um profissional da saúde segurando a mão de um pacientePara Rita Rangel, o desafio agora é fortalecer ainda mais a integração entre teoria, prática e compromisso social. A nova resolução estabelece prazo até junho de 2028 para que todas as instituições adequem seus projetos pedagógicos às novas normas.
Na avaliação de especialistas da área, as mudanças representam uma tentativa de aproximar a formação acadêmica das necessidades reais do sistema de saúde brasileiro, reforçando o papel do SUS e valorizando uma formação mais prática, ética e humanizada.


