Univali investiga impactos do calor extremo em praias de SC
Pesquisa visa auxiliar poder público em tomadas de decisão, veja como responder

Professores vinculados à Universidade do Vale do Itajaí (Univali) querem saber como o calor extremo está impactando moradores e trabalhadores urbanos, comunidades de baixa renda, surfistas, pescadores e frequentadores das praias da região Centro-Norte de Santa Catarina. O objetivo é utilizar as informações coletadas para auxiliar o poder público em tomadas de decisão e construção de políticas públicas futuras.
Foto: IStock #ParaTodosVerem: Fotografia mostra vista aérea de faixa de areia, mar e morros com área urbana ao fundo.A pesquisa “Entre o Sol e o Mar: Calor Extremo e Resiliência Climática na Zona Costeira de Santa Catarina” é conduzida pelo coordenador do Laboratório de Conservação e Gestão Costeira e pelo Observatório Costeiro da Univali, professor Marcus Polette.
O estudo ocorre em parceria com o IoTec Lab (Laboratório Multiusuário para o Desenvolvimento de Tecnologias Transformadoras em Cidades Inteligentes e Sustentáveis), ligado à Escola Politécnica da universidade.
Foto: Michael Douglas Cabral Alves #ParaTodosVerem: Fotografia mostra dois homens em área de vegetação próxima à praia segurando aparelho de medição.Aumento das ondas de calor
A participação na COP 30, no ano passado, e a discussão sobre o aumento das ondas de calor ao redor do mundo, inspiraram o estudioso a desenvolver uma ação prática para lidar com o fenômeno climático na região.
Polette explica que as ondas de calor são os períodos marcados por temperaturas muito acima do habitual, registradas ao longo de pelo menos três dias consecutivos. O professor relata que o aumento da frequência, intensidade e duração destes fenômenos tem sido motivo de preocupação para a Organização das Nações Unidas (ONU).
“Precisamos entender como este calor extremo está afetando a saúde das pessoas, as praias, a qualidade de vida em nossas cidades. Muitos dos nossos municípios costeiros têm o turismo de sol, mar e praia como principal atrativo. Neste cenário, as mudanças climáticas também devem ser consideradas como fator de impacto para o seu desenvolvimento econômico a médio e longo prazo”, observa.
Foto: IStock / Kieferpix #ParaTodosVerem: Fotografia mostra mulher segurando garrafa de água sob luz do sol.O professor conta que as pesquisas sobre ilhas de calor tiveram início no ano passado, com revisão bibliográfica e articulações feitas durante a COP 30 com especialistas da área. Ainda em 2025 foram alinhadas parcerias com o Instituto Dahuer, organização Ecosurf, Inpo (Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas), Sindipi (Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região) e a empresa Portonave.
Segundo o pesquisador, a iniciativa possui várias frentes e vai ajudar a entender como o calor extremo afeta diferentes grupos ajudando, deste modo, as cidades a se adaptar em setores como saúde pública, turismo, infraestrutura urbana e Defesa Civil.
“Neste ano, estão sendo realizadas ações de campo para avaliar o fenômeno na região e a percepção de usuários das praias e de surfistas da região sobre ondas de calor, com atividades previstas até o fim de abril. Também estão em andamento tratativas para analisar os impactos da radiação solar sobre pescadores e trabalhadores portuários, incluindo instalação de medidores de temperatura e aplicação de questionários.”, contextualiza Polette.
IoTec Lab
O projeto também envolve o desenvolvimento de sensores para a coleta de dados, equipamentos que poderão ser instalados em áreas estratégicas dos municípios permitindo estruturar uma rotina de monitoramento das temperaturas. Esta vertente do projeto é conduzida pela equipe do Iotec Lab e tem a atuação do coordenador do Mestrado em Computação Aplicada (PPGCA) da Univali, Jordan Passinato Sausen e do professor Michael Douglas Cabral Alves.
Foto: Michael Douglas Cabral Alves #ParaTodosVerem: Fotografia mostra homem na areia da praia segurando aparelho de medição com o mar ao fundo.Sausen explica que o laboratório desenvolve tecnologias para coletar dados, como temperatura e radiação solar, em diversos pontos da cidade. Deste modo, a equipe está responsável pela criação dos protótipos destes dispositivos para serem instalados nas ruas e realizar as medições.
Para transmitir estas informações coletadas aos servidores, será utilizada uma rede de comunicação chamada LoRaWAN. Os dados recebidos serão processados e transformados em informações para auxiliar na elaboração de estratégias e políticas públicas para reduzir os efeitos das ilhas de calor.
“Em outras palavras, podemos dizer que o IoTec Lab é responsável pela parte tecnológica, que engloba o desenvolvimento dos dispositivos e a coleta, transmissão e tratamento dos dados que darão subsídio ao projeto.”, resume o professor.
Estudo abrange várias frentes
Em Itajaí, a pesquisa tem como foco o bairro Cidade Nova. Segundo Polette, a área exemplifica a realidade de uma área periférica exposta a múltiplos estressores das mudanças do clima, como é o caso das inundações e do calor extremo.
“É um bairro situado às margens do rio Itajaí-mirim, possui baixa arborização e predominância de superfícies escuras, que retém mais calor por sua baixa capacidade de reflexão da luz. Possui déficit de infraestrutura urbana qualificada e limitações socioeconômicas que reduzem a capacidade adaptativa da população local.”, destaca.
Foto: Michael Douglas Cabral Alves #ParaTodosVerem: Fotografia mostra homem em rua segurando aparelho de medição próximo a carro estacionado.Além dos efeitos físicos do calor, o especialista observa que a exposição desigual ao calor extremo representa um problema de justiça climática e racismo ambiental, temas amplamente debatidos nas COPs 24 e 30.
“A literatura demonstra que populações de baixa renda, periféricas ou residentes de moradias precárias tendem a sofrer de forma desproporcional os impactos das ondas de calor, reforçando ciclos de vulnerabilidade e risco.”, justifica.
Foto:IStock/Djavan Rodriguez #ParaTodosVerem: Fotografia mostra homem sentado em sala em frente a um ventilador.Neste sentido, nesta fase do estudo o grupo avalia como tornar o índice de retenção de calor um indicador ambiental acessível para intervenção urbana em comunidades vulneráveis, a exemplo do bairro itajaiense.
“Estamos realizando um experimento no IoTec Lab com os principais materiais utilizados nos tetos das casas do bairro Cidade Nova, em especial as telhas de fibrocimento. A ideia é avaliar as temperaturas médias que as casas recebem em dias de ondas de calor.”, explica o coordenador do projeto.
Os pesquisadores querem mostrar, por meio do estudo, que mudanças simples como a adoção de materiais de maior refletância, técnicas de resfriamento passivo, ampliação de infraestrutura verde e azul, são capazes de melhorar o conforto térmico em populações que não possuem condições de adquirir um condicionador de ar.
A necessidade de arborização no espaço público e reorganização urbana de áreas críticas, como ações de redução do estresse térmico e melhora da qualidade ambiental, são mais pontos avaliados pelo estudo.
Foto: IStock/Braun S #ParaTodosVerem: Fotografia mostra homem em pé na praia com prancha de surfe na beira do mar.Outro grupo considerado pela pesquisa da Univali são os surfistas, que passam longos períodos expostos ao sol e à radiação ultravioleta. Um estudo conduzido pela Southern Cross University, da Austrália, revelou que este grupo de usuários do mar possui 120 vezes mais chances de desenvolver câncer de pele que as pessoas comuns.
Já em Balneário Camboriú, o estudo busca entender como moradores e frequentadores da região da Praia Central percebem o aumento do calor e como isso se relaciona às ilhas de calor urbanas.
Foto: IStock #ParaTodosVerem: Fotografia mostra avenida com ciclovia e canteiro central com flores, prédios ao fundo e praia com pessoas na areia.Os usuários, moradores e veranistas das praias, turistas, pescadores e pessoas que passam o dia na orla, incluindo os trabalhadores que exercem as suas funções nestes locais, também são contemplados pelo estudo promovido pela Instituição de Ensino.
“Acreditamos que todos os dados, que estamos coletando por meio deste estudo, vão apoiar as prefeituras e os setores econômicos que desejam se adaptar para o enfrentamento destas condições. Amparados em informações sólidas, os municípios e o setor privado estarão melhor preparados para o planejamento das próximas temporadas de verão.”, afirma o coordenador do estudo.
Pesquisa on line
Os pesquisadores da Univali desenvolveram questionários para serem respondidos pela internet. O objetivo é ouvir os diferentes perfis que usufruem das praias locais.
Para coletar a visão dos diferentes públicos, os professores organizaram questionários específicos. Deste modo, para responder a pesquisa é necessário selecionar o link correspondente ao perfil do respondente. A participação é voluntária, anônima e leva poucos minutos. As respostas serão coletadas até abril deste ano, quando encerra a temporada de temperaturas mais elevadas.
Foto: IStock #ParaTodosVerem: Fotografia mostra ondas do mar atingindo pedras na orla.O professor Polette enfatiza que “responder a pesquisa é uma forma simples de contribuir para a ciência e ajudar a tornar Santa Catarina mais preparada, resiliente e segura para lidar com os efeitos das mudanças climáticas.”
Confira os links dos questionários:
Surfistas – Clicar aqui
Moradores e frequentadores - Praia Central de Balneário Camboriú – Clicar aqui
Moradores e frequentadores de praias do Centro-Norte de SC – Clicar aqui


