Univali assume estudo para remoção do Pallas, naufragado há 133 anos em Itajaí
Assinado nesta segunda, 25, convênio entre Porto de Itajaí e Univali busca destravar ampliação do canal para navios de até 366 metros

Foto: Dales Hoeckesfeld | #PraTodosVerem: Foto do público assistindo a uma apresentação diante de um grande painel azul que exibe o desenho técnico de um navio.A Universidade do Vale do Itajaí (Univali), o Porto de Itajaí e a Autoridade Portuária Federal assinaram, nesta segunda-feira (25), um convênio para realização de estudos técnicos voltados à remoção dos destroços do navio Pallas, naufragado desde 1893 no canal de acesso ao complexo portuário de Itajaí e Navegantes. A iniciativa destrava uma etapa necessária para o aprofundamento do canal e para a operação de embarcações de até 366 metros.
A assinatura ocorreu na Marina de Itajaí. Conduzido pela Univali, o trabalho terá prazo de 60 dias e investimento de R$ 310 mil. As atividades incluem inspeções subaquáticas, mergulho técnico, sondagens e análises estruturais que irão definir a metodologia de retirada da embarcação.
Foto: Dales Hoeckesfeld | #PraTodosVerem: Foto em close-up de uma placa de metal que assinala o marco simbólico da remoção dos destroços do navio Pallas no Complexo Portuário de Itajaí, com autoridades sentadas ao fundo.Os destroços do Pallas estão entre as boias 9 e 11, próximos à Bacia de Evolução nº 2, junto ao molhe norte, no lado de Navegantes. A estrutura impede o aprofundamento daquela área para 16 metros e limita a expansão operacional do complexo portuário.
Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, a remoção do Pallas passou a ser uma das prioridades para o avanço das intervenções previstas no canal de acesso.
“Esse estudo organiza os caminhos técnicos para uma operação que o porto discute há anos. A retirada do Pallas é necessária para ampliar a capacidade de manobra e permitir a chegada de embarcações maiores”, afirma.
Foto: Dales Hoeckesfeld | #PraTodosVerem: Foto de um homem sendo entrevistado por diversos jornalistas com microfones em frente a um painel onde se lê 'Porto de Itajaí'.Engenharia subaquática e patrimônio histórico
O estudo será coordenado pelo diretor do Museu Oceanográfico da Univali, professor Jules Soto, pesquisador responsável por análises científicas anteriores sobre o naufrágio. Após a descoberta dos destroços, em 2017, durante dragagens para implantação da nova bacia de evolução, a embarcação passou a concentrar levantamentos técnicos e análises arqueológicas.
Foto: Dales Hoeckesfeld | #PraTodosVerem: Foto de um senhor de paletó vermelho assinando um documento sobre um púlpito, com um grupo de homens em trajes formais ao seu redor.Em 2018, o Porto de Itajaí realizou levantamentos subaquáticos e encaminhou os resultados ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Desde então, a Univali acompanha os processos técnicos relacionados à área, considerando o domínio metodológico, científico e geográfico sobre a região do naufrágio.
O mapeamento realizado aponta que a embarcação se partiu ao meio. Estruturas metálicas e fragmentos de madeira permanecem distribuídos no leito submerso da área de evolução do canal. Os estudos agora contratados também deverão indicar procedimentos de destinação dos materiais encontrados, em articulação com o Iphan e a Marinha do Brasil.
Foto: Dales Hoeckesfeld | #PraTodosVerem: Foto de uma autoridade discursando no microfone para a plateia em um evento oficial à beira-mar, com barcos e prédios ao fundo.A remoção completa do casco está estimada pelo Ministério dos Portos em cerca de R$ 23 milhões e deve ocorrer nos próximos dois anos.
Revolta da Armada
Construído na Inglaterra em 1891, o Pallas pertencia à Companhia Frigorífica Fluminense e operava no transporte de cargas e passageiros entre Rio de Janeiro e Buenos Aires, com escalas em Itajaí. Considerado moderno para a época, o navio afundou na entrada da barra do rio Itajaí-Açu em outubro de 1893.
O naufrágio ocorreu durante a Revolta da Armada, movimento liderado por setores da Marinha brasileira contra o governo do marechal Floriano Peixoto, então presidente da República. A revolta mobilizou operações militares no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, incluindo confrontos navais e bombardeios. Relatos históricos indicam que o Pallas teria sido abordado e saqueado no contexto do conflito. Ao acessar o canal do rio Itajaí-Açu à noite, colidiu contra pedras submersas próximas ao atual molhe norte e afundou.
Os destroços permaneceram submersos por mais de um século e voltaram ao centro das discussões portuárias em 2017, durante dragagens para ampliação da bacia de evolução. Hoje, o casco interfere diretamente nas obras de aprofundamento do canal de um complexo que movimentou 15,7 milhões de toneladas de cargas em 2025.
Foto: Arquivo / Divulgação | #PraTodosVerem: Foto antiga em tom envelhecido mostrando um navio encalhado próximo à costa.

