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Univali fecha contrato com Petrobras para liderar monitoramento da pesca em SC

Programa avaliará os impactos do setor de petróleo sobre as comunidades pesqueiras catarinenses
Cristina Teresa Santos
Cristina Teresa Santos
Alimentos-Costeiros-Importam_PassodeTorres_BarraVelha_30maio2023_ViniciusYuri4.jpegFoto: Vinicius Yuri | #PraTodosVerem: Foto em close-up das mãos de um pescador retirando um peixe capturado em uma rede de pesca na beira da praia.

A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e a Petrobras deram mais um passo importante em sua aliança histórica ao assinarem, no último mês, um novo contrato estratégico que coloca a instituição catarinense na coordenação das ações do Programa Macrorregional de Caracterização da Atividade Pesqueira (PMCAP) em Santa Catarina.

A parceria viabilizará um diagnóstico científico sobre a realidade social e as rotas de navegação dos pescadores, mapeando como a pesca local interage com a exploração de petróleo e gás na região.

A iniciativa atende a uma exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para o licenciamento ambiental nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo. Ela abrange as dez operadoras do Plano Macro, um esforço unificado para mitigar e gerenciar conjuntamente os impactos das atividades marítimas na costa brasileira.

Segundo o coordenador do projeto na Univali, Roberto Wahrlich, o programa eleva o patamar das pesquisas locais. Enquanto o antigo monitoramento, que ocorria por meio do Projeto de Monitoramento da Atividade Pesqueira no Estado de Santa Catarina (PMAP-SC) conduzido pela Univali, focava na estatística pesqueira diária, o novo modelo adiciona diagnósticos sociais aprofundados para entender como as comunidades tradicionais convivem com a indústria do petróleo, garantindo o respeito a quem vive do mar.

PCSPA_2_31_Sarilho_Lagoa Santo Antonio_Fabio_Lopes_edit.jpgFoto: Fabio Lopes - Sarilho Lagoa Santo Antonio | #PraTodosVerem: Foto de uma antiga estrutura de madeira com sarilhos e uma pequena embarcação flutuando nas águas tranquilas de uma lagoa.

Do monitoramento fragmentado ao Plano Macro

O novo programa marca uma evolução na gestão socioambiental da costa brasileira. No modelo anterior de licenciamento, cada petrolífera realizava diagnósticos individuais, gerando redundância de dados e sobrecarregando as comunidades com questionários repetitivos.

“Com o Plano Macro, as dez maiores empresas do setor operam sob uma única diretriz metodológica”, explica Wahrlich. A pesquisa deixa de focar apenas em estatísticas de desembarque e produção por estado, como ocorria nos antigos modelos conhecidos como Projeto de Monitoramento da Atividade Pesqueira (PMAP) e Projeto de Monitoramento do Desembarque Pesqueiro (PMDP), para priorizar um diagnóstico socioeconômico consistente e o mapeamento territorial integrando três bacias sedimentares e cinco estados brasileiros.

Atualmente, o projeto passa por transição e mobilização de equipes, além da estruturação operacional das bases, mas as atividades de monitoramento seguem sem interrupção. A Univali lidera as ações em Santa Catarina, enquanto Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo são gerenciados pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag), com a colaboração técnica de instituições parceiras locais.

Em campo, os pesquisadores mapearão rotas de navegação, áreas de captura e a vulnerabilidade social das comunidades frente ao tráfego petrolífero. “Essa expertise ajudará a propor medidas mitigadoras eficientes para possíveis interferências nos territórios pesqueiros”, afirma Wahrlich.

Os dados também devem gerar censos e diagnósticos que apoiem políticas públicas nacionais e estaduais, além de subsidiar a atuação do Brasil em fóruns como a Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico (ICCAT).

Credito_JoanaNobreSIlva.jpgFoto: Joana Nobre SIlva | #ParaTodosVerem: Foto em primeiro plano de caixas plásticas cheias de peixes frescos empilhadas, com um grupo de pescadores ao fundo perto do mar.

Evolução científica em Santa Catarina

A atuação da Univali é amparada pelo Laboratório de Estudos Marinhos Aplicados (LEMA), que já possui um vasto banco de dados sobre a pesca artesanal e industrial no estado. Essa bagagem viabilizou, em 2024, o lançamento da Plataforma Digital de Dados da Pesca junto ao Governo de SC, modernizando o acesso às estatísticas do setor e servindo como ferramenta para o planejamento público.

A Univali e a Petrobras já possuem uma longa trajetória de cooperação científica voltada à pesquisa e à conservação do ambiente marinho. Um exemplo prático dessa parceria é o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). Coordenado pela universidade em SC e no Paraná, o projeto é uma ampla estrutura dedicada ao resgate, atendimento veterinário e reabilitação de aves, tartarugas e mamíferos marinhos encontrados na costa, reforçando o compromisso das duas instituições com a sustentabilidade costeira.




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