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Museu Oceanográfico Univali recebe canhão histórico raro, inédito em SC

Peça naval britânica do século 18 é do mesmo modelo usado no navio que transportou Charles Darwin
Cristina Teresa Santos
Cristina Teresa Santos
Canhão Carronada em SC.jpgFoto: Divulgação | #PraTodosVerem: Foto de um tubo de canhão metálico e antigo apoiado horizontalmente sobre um bloco de madeira.

O Museu Oceanográfico Univali, em Balneário Piçarras, acabou de receber um canhão histórico do tipo carronada, o primeiro exemplar conhecido desse modelo em Santa Catarina. A peça de origem britânica, com calibre de 18 libras e em bom estado de conservação, foi adquirida pelo Instituto Cultural Soto (ICS), parceiro de longa data da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e do museu, e transportada de São Paulo para o estado. A incorporação ao acervo permitirá ao público conhecer um tipo de armamento naval ligado à história do Brasil e expedições marítimas do século XIX.

Desenvolvida a partir de 1776 na fundição de Carron, na Escócia, a carronada é um canhão naval curto, feito de ferro fundido e projetado para combates a pequenas distâncias. “O modelo disparava projéteis pesados com menor quantidade de pólvora e exigia uma equipe reduzida para operar. Sua principal limitação era o alcance menor em comparação com outros canhões navais”, explica o diretor de museus da Univali, professor Jules Soto. “É deste canhão a origem da expressão ‘curto e grosso’”, conta.

A aquisição foi realizada nesta semana por Soto, presidente do ICS, que também articulou o transporte da peça para Santa Catarina. Antes de chegar ao estado, o canhão esteve em um antiquário no Rio de Janeiro e, posteriormente, integrou a coleção de um particular em São Paulo.

“Nosso propósito é ampliar a relevância dos acervos museológicos de Santa Catarina no cenário nacional. Cada incorporação como essa amplia as possibilidades de pesquisa, preservação e acesso público à história”, aponta Soto, que também é presidente do Instituto Cultural Soto (ICS).

Relevância histórica

Esse armamento esteve presente em episódios importantes da história brasileira. A esquadra britânica que escoltou a família real portuguesa ao Brasil, em 1808, utilizava principalmente carronadas. A Marinha do Brasil também empregou esse tipo de canhão durante conflitos do Primeiro Reinado, entre eles a Guerra da Independência (1822-1823) e a Guerra da Cisplatina (1825-1828).

A peça adquirida para Santa Catarina também tem uma relação direta com a história da ciência. O HMS Beagle, navio que transportou Charles Darwin em sua viagem de 1831 a 1836, foi originalmente projetado para carregar oito carronadas de 18 libras, o mesmo calibre do exemplar resgatado. Durante essa expedição, Darwin realizou observações que contribuíram para o desenvolvimento da teoria da evolução por seleção natural.

Essa conexão histórica faz do Museu Oceanográfico Univali uma das possibilidades para a exposição. O espaço, localizado em Balneário Piçarras, reúne acervos relacionados à vida marinha e história das expedições, incluindo peças associadas à trajetória de Darwin.

Diagrama canhão carronada.jpgFoto: Divulgação | #PraTodosVerem: Foto de um desenho técnico mostrando o perfil lateral de um canhão montado num suporte com cordas e roldanas.

Raridade nos museus brasileiros

Atualmente, são conhecidos quatro museus brasileiros com exemplares desse tipo: o Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro (RJ); o Museu de Arte Religiosa e Tradicional, em Cabo Frio (RJ); o Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre (RS); e o Museu Solar Monjardim, em Vitória (ES).

A incorporação da carronada ao acervo do Museu Oceanográfico Univali, onde será exposta em breve e poderá ser apresentada em conexão com a viagem de Darwin e a história das expedições científicas, amplia a presença desse tipo de peça no patrimônio museológico catarinense. Para Soto, a iniciativa integra o projeto de posicionar Santa Catarina entre os quatro principais estados brasileiros na área museológica.




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