Univali reúne relatos de professores para livro sobre robótica na educação infantil
Chamada recebe experiências com o RoPE até 1º de dezembro; e-book gratuito tem publicação prevista para agosto de 2027

Foto: Divulgação | #PraTodosVerem: Foto de um grupo de crianças ao redor de um objeto de madeira sobre um tapete ilustrado no chão.A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) está reunindo relatos de professores que utilizam o RoPE (Robô Programável Educacional) em atividades pedagógicas com crianças. A chamada integra a produção do livro Brincando de Programar: Relatos de Experiência com uso do RoPE, organizado pelos professores André Luís Alice Raabe, Juliana Bertolazi Simon e Vinicius Hartmann Ferreira. O prazo para envio dos relatos é 1º de dezembro de 2026. A publicação será em formato de e-book, com acesso gratuito à comunidade educacional.
Com apoio da SmartFun Brasil, a iniciativa busca documentar experiências realizadas em diferentes regiões do Brasil, reunindo práticas que mostram como o brinquedo pode ser incorporado ao cotidiano escolar. Podem participar educadores que já tenham desenvolvido atividades com o RoPE, desde uma aula até uma sequência de encontros com as turmas.
Os relatos selecionados integrarão a obra, que será publicada pela Editora Triálogo. A divulgação dos selecionados está prevista para 1º de março de 2027 e o envio dos textos completos deverá ocorrer até 1º de abril. A publicação do e-book está prevista para agosto de 2027.
Brincando com a Lógica de programação
O RoPE é resultado de mais de cinco anos de pesquisas interdisciplinares desenvolvidas no Laboratório de Inovação Tecnológica na Educação (Lite), da Univali. “É um brinquedo programável destinado a crianças a partir dos três anos. O funcionamento é baseado em cinco botões localizados na cabeça do robô: quatro representam as direções — frente, trás, esquerda e direita — e um executa a sequência de movimentos selecionada pela criança”, explica o professor e pesquisador dos programas de pós-graduação em Computação Aplicada (PPGCA) e em Educação (PPGE) da Univali André Raabe, que é coordenador do Lite.
Segundo ele, a programação permite trabalhar conceitos de pensamento computacional, lógica e matemática, incluindo orientação espacial, reconhecimento de trajetórias, rotações, ângulos, formas geométricas e associação entre números e quantidades. As atividades podem ser realizadas com o apoio de tapetes pedagógicos, que propõem desafios e situações lúdicas adaptáveis aos objetivos de aprendizagem.
Foto: Divulgação | #PraTodosVerem: A foto mostra cubos de madeira com rostos gravados dispostos ao lado de um tapete com desenhos e letras.Os sons emitidos pelo brinquedo a cada ação também permitem explorar atividades com crianças com deficiência visual. “A proposta aproxima a programação da experiência concreta de brincar, experimentar comandos e observar os resultados, favorecendo o contato inicial com conceitos relacionados à computação e engenharia”, ressalta Raabe.
Computação integrada ao currículo escolar
A produção de materiais didáticos gratuitos para o ensino de computação faz parte da atuação do professor André Raabe, que lançou, em junho de 2026, um e-book com propostas pedagógicas para integrar a computação ao ensino sem depender de laboratórios específicos.
O livro Computação na Escola: Uma abordagem transversal baseada em projetos, apresenta um referencial curricular desenvolvido a partir de pesquisa com a rede municipal de Balneário Camboriú, com propostas para integrar a computação à Educação Infantil e ao Ensino Fundamental, de forma transversal às disciplinas já existentes. Também reúne atividades de computação desplugada, que trabalham lógica, algoritmos e resolução de problemas sem exigir o uso de computadores, além de disponibilizar um repositório on-line de materiais de apoio para professores.
Foto: Divulgação | #PraTodosVerem: A foto mostra uma criança pressionando botões no topo de um cubo de madeira posicionado sobre um tapete com ilustrações.Dez anos de RoPE nas escolas
Em 2027, o RoPE completa dez anos desde o início de sua distribuição nas escolas de Balneário Camboriú, em uma iniciativa do Lite em parceria com o Ministério Público do município. Em 2018, o brinquedo recebeu fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), contribuindo para o desenvolvimento da tecnologia. Mais de 80 unidades do brinquedo já foram disponibilizadas para escolas da rede pública, ampliando as possibilidades de uso da programação em atividades pedagógicas com crianças.
A iniciativa contempla propostas realizadas dentro e fora da sala de aula, como contação de histórias, resolução de problemas lógicos e aprendizagem de noções espaciais. Antes de utilizar o brinquedo com as turmas, os professores recebem capacitação para explorar seus recursos e planejar atividades de acordo com os objetivos de aprendizagem.
Ao reunir experiências de diferentes escolas, o livro pretende registrar as possibilidades de uso do RoPE em contextos educacionais diversos e compartilhar práticas que possam inspirar outros professores. A chamada também amplia a documentação das experiências desenvolvidas com uma tecnologia educacional criada na Universidade.
Como participar
- Os relatos devem ser enviados até 1º de dezembro de 2026. Instruções para participação, modelo de relato e formulário de envio estão disponíveis em livrobrincandodeprogramar.my.canva.site/home.
- Para conhecer o RoPE, acesse lite.acad.univali.br/rope-brinquedo-de-programar.
Dúvidas podem ser encaminhadas para lite@univali.br.























