Univali aponta alternativas para remoção do Pallas
Estudo da Univali sobre retirada do navio foi apresentado nesta sexta-feira (25), no Porto de Itajaí

Foto: Dales Hoeckesfeld | #PraTodosVerem: A foto mostra um grupo de homens e uma mulher em pé lado a lado em um auditório, posicionados em frente a uma tela de projeção.A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) apresentou, nesta sexta-feira (25), no Porto de Itajaí, as alternativas técnicas para a remoção do navio Pallas, naufragado desde 1893 no canal de acesso aos portos de Itajaí e Navegantes. O conjunto de soluções resulta de três meses de pesquisas e análises e passa agora à avaliação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Marinha do Brasil. As diretrizes definidas pelos órgãos vão orientar a elaboração do projeto executivo, que deverá detalhar metodologia e procedimentos para a retirada dos destroços.
A entrega do estudo reúne informações produzidas a partir de diferentes áreas do conhecimento e amplia a base técnica disponível para a tomada de decisão sobre a remoção. A pesquisa considera condições atuais dos destroços, da embarcação, ambiente subaquático, aspectos históricos, arqueológicos, além das exigências relacionadas à segurança e intervenção no canal de acesso ao complexo portuário. A partir desse conjunto de informações, o estudo apresenta alternativas que consideram as características encontradas na área e os diferentes fatores envolvidos em uma operação desse porte.
“Começamos com 14 tópicos que considerávamos essenciais para compreender o problema e chegamos a 58 capítulos. Ao longo da pesquisa, novas informações e questões exigiram aprofundamentos que não estavam previstos no início”, afirma o coordenador do estudo e diretor do Museu Oceanográfico da Univali, professor Jules Soto. “Esse processo nos permitiu reunir um conjunto de dados que dá sustentação às alternativas apresentadas agora e oferece aos órgãos competentes elementos para avaliar os caminhos possíveis para a remoção”, complementa.
A ampliação do estudo acompanhou o próprio desenvolvimento da investigação. O levantamento incorporou informações e análises relacionadas à embarcação, destroços e possibilidades de intervenção, além de dados necessários para avaliar as condições de uma operação que precisa compatibilizar condições dos destroços, segurança das atividades, características do canal e aspectos relacionados ao patrimônio histórico e arqueológico.
Para reunir essas informações, o trabalho envolveu profissionais de biologia, história, arqueologia subaquática e naval, oceanografia e engenharia, além de técnicos, soldadores, mergulhadores e empresas especializadas em salvamento e operações submarinas.
Também integraram o levantamento pesquisas bibliográficas e documentais, com consulta a livros, registros históricos e à hemeroteca de jornais da época do naufrágio. A equipe mantém ainda articulação com autoridades navais para ampliar as informações sobre a embarcação, contexto do naufrágio e condições que envolvem a retirada dos destroços.
“A partir de agora, o estudo passa a ser analisado pelas instituições que têm competência para definir as condições dessa intervenção. Nosso trabalho é fornecer informações e alternativas tecnicamente fundamentadas para que essa próxima etapa possa avançar”, explica Soto.

Remoção e ampliação do canal
A análise das alternativas está diretamente relacionada às intervenções previstas na Bacia de Evolução nº 2, área utilizada para a manobra das embarcações. A remoção dos destroços integra as ações necessárias para o aprofundamento daquele trecho do canal e ampliação da capacidade operacional do complexo portuário, que poderá receber navios de até 366 metros.
Os destroços estão entre as boias 9 e 11, junto ao molhe norte, no lado de Navegantes.
A remoção completa do casco é estimada pelo Ministério dos Portos em cerca de R$ 23 milhões e está prevista para ocorrer nos próximos dois anos.
Pallas
Construído na Inglaterra em 1891, o Pallas pertencia à Companhia Frigorífica Fluminense e realizava o transporte de cargas e passageiros entre Rio de Janeiro e Buenos Aires, com escalas em Itajaí. O navio naufragou em outubro de 1893, durante a Revolta da Armada, ao acessar o canal do rio Itajaí-Açu.
Os destroços permaneceram submersos por mais de um século e foram localizados em 2017, durante trabalhos de dragagem.
























